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Melhorando os resultados do tratamento antidepressivo visando a adesão

A não adesão ao medicamento antidepressivo é comum e está associado com piores resultados do tratamento.1 Roberson e colaboradores relataram os resultados de um estudo publicado no Journal of Clinical Psychiatry, no qual eles utilizaram uma nova abordagem para medir diretamente a adesão de pacientes com Transtorno Depressivo Maior.1

Uso de amostras de sangue descartadas para mensurar a adesão aos antidepressivos

Os autores utilizaram amostras de sangue de rotina coletadas durante a prática clínica padrão, as quais foram alinhadas com os dados clínicos e anonimizadas pela Crimson Biomaterials Collection Core Facility no hospital Brigham and Women.1 As amostras disponíveis eram de 109 pacientes depressivos com idade > 18 anos que receberam prescrição de medicação antidepressiva em janeiro de 2014, em dois centros médicos de Massachusetts, EUA.1 As amostras de sangue haviam sido obtidas entre 14-90 dias após início do tratamento.1

A presença ou ausência de medicação antidepressiva ou seus metabólitos foi mensurada para estabelecer a proporção de pacientes depressivos com níveis indetectáveis de antidepressivos, apesar de prescrição recente ativa.1 Os níveis relativos de antidepressivos não foram mensurados devido à lacuna de tempo entre a coleta e o processamento da amostra.1 Os quatro antidepressivos escolhidos tinham meias-vidas curtas (<1,5 dias), propiciando maior sensibilidade à adesão.1

O uso de registros eletrônicos de saúde e amostras de sangue descartadas formam um novo meio de avaliar a não adesão.1

Resultados

O tempo médio (desvio padrão) entre a emissão da prescrição e a amostra foi de 48 (14) dias.1 De maneira geral, 17% (18/109) dos indivíduos tiveram níveis indetectáveis de antidepressivos em suas amostras de sangue.1

A não adesão foi observada em até 1 de 5 pacientes com uma prescrição de antidepressivos.1

Em uma análise univariada, os autores observaram que a não adesão foi independente de idade ou sexo, porém mais provável em pacientes que:1

  • Não tinham plano de saúde particular (χ21=5,07, p=0,02)
  • Receberam prescrições por períodos menores que 90 dias (χ21=4,03, p=0,05).

Conclusões

Esses resultados oferecem uma nova maneira de avaliar a adesão à medicação antidepressiva em um cenário naturalístico, sem o uso de uma intervenção que poderia influenciar na adesão (como o monitoramento apenas através de estudos clínicos ou da prática clínica ou pelo uso de dados relatados pelos pacientes).1

Entretanto, a interpretação desses resultados possui algumas limitações, incluindo o fato de ser restrito aos pacientes cujas amostras de sangue foram coletadas para exames de rotina – o que pode fazer com que os resultados sejam mais aplicáveis às populações clínicas gerais com comorbidades médica, ao invés de populações com menos comorbidades.1 Além disso, essa abordagem não conseguiu determinar o grau geral de não adesão, mas focou na proporção de pacientes que recentemente não tomaram seu medicamento.1

Em geral, os autores concluíram que esses resultados podem facilitar uma modelagem mais precisa da não adesão em estudos como aqueles que investigam a farmacovigilância, onde estudos clínicos controlados randomizados não são viáveis.1

  • Referências

    1. ROBERSON, AM. et al. Antidepressant nonadherence in routine clinical settings determined from discarded blood samples. J Clin Psychiatry, 77(3):359–362, 2016.