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O que é HIV/AIDS?

O que é HIV?

O HIV (sigla em inglês para vírus da imunodeficiência humana), é um vírus que ataca o sistema imunológico, principalmente as células linfócitos T CD4+, auxiliares fundamentais para a resposta imunológica que são responsáveis por orquestrar outras células da resposta imune na erradicação patógenos e são também muito importantes na ativação dos linfócitos B, macrófagos ou mesmo Linfócito T CD8. 1,2,7

As formas de exposição ao vírus são através da relação sexual desprotegida, contato parenteral com sangue e derivados e via materno infantil, na gestação, parto ou aleitamento materno. 1,3

Sem tratamento eficaz, o HIV se replica, provoca uma ativação imune ininterrupta e destrói as células CD4 em escala crescente, com progressão da imunodeficiência. Se não for tratada adequadamente, a infecção pelo HIV evolui para sintomas e agravos definidores de AIDS. 1,2

  • Classificação

    O HIV é classificado como membro da família Retroviridae, subfamília Orthoretrovirinae, gênero Lentivirus. Possui um capsídeo em forma de cone que comporta o genoma do vírus formado por duas moléculas de ácido ribonucléico (RNA) de fita simples. Os retrovírus são caracterizados pela habilidade que possuem de transcrever  o seu genoma de RNA em uma molécula de ácido desoxirribonucléico (DNA) de fita dupla previamente à integração do genoma do vírus ao cromossomo da célula hospedeira. Esse processo é mediado por uma DNA polimerase dependente de RNA, denominado de transcriptase reversa (TR).4,5


    A grande maioria das cepas do HIV-1 pertence ao grupo M, o qual é o responsável pela atual pandemia de AIDS. Este grupo foi dividido em nove subtipos, nomeados de A, B, C, D, F, G, H, J, K, sendo os dois últimos subtipos caracterizados como formas recombinantes. Alguns desses subtipos podem ser separados em sub-subtipos como o A (A1 e A2) e grupo F (F1 e F2). Foram identificadas variantes do HIV-1 chamada de CRF, formas que têm origem a partir do momento em que um indivíduo é infectado por dois diferentes subtipos de HIV-1, em que ocorre recombinação genética, além de pelo menos outras 30 formas recombinantes, chamadas de Formas Recombinantes Únicas (URF). O HIV-2 apresenta 7 grupos (A-G) e foi primeiramente identificado no Oeste da África, estando restrito a esta região, e alguns outros locais. 3-5

    Figura 1: Classificação do HIV. Adaptado a partir da referência3

  • Ciclo de replicação

    A replicação do HIV é feita em etapas que se dividem em uma fase inicial e uma fase tardia, embora alguns ocorram de forma coordenada ou mesmo simultaneamente.4

     

    O HIV utiliza receptores e co-receptores presentes na superfície de linfócitos T ou macrófagos para que haja reconhecimento e adsorção do vírus, iniciando a infecção viral. A interação ocorre entre receptores CD4 que estão presentes na membrana da célula-alvo e moléculas gp120 presentes no envelope viral.4,8

     

    Porém, não só a interação gp120-CD4 é suficiente para a entrada do HIV na célula. Um grupo de receptores de quimiocinas, CCR5 e CXCR4, são identificados como os principais correceptores in vivo para o HIV-1.4,5

     

    Assim, após a ligação da gp120 ao receptor celular CD4, ocorrem alterações conformacionais facilitando a ligação ao correceptor. Tais interações levam a modificações na conformação da glicoproteína g41, expondo uma região denominada peptídeo de fusão, que permite a fusão do envelope viral à membrana celular e subsequente entrada viral. 4,5

     

    A fusão das membranas viral e celular cria um poro que conecta o interior do vírion (partícula viral) com o citoplasma da célula alvo, facilitando a entrada do capsídeo viral no citoplasma da célula hospedeiro. Então, ocorre a liberação do conteúdo do capsídeo (fatores celulares e proteínas virais) para o citoplasma. 4,5,8

     

    Dentro do citoplasma, o RNA viral é retrotranscrito para uma fita dupla de DNA pró-viral, pela TR viral. Após a transcrição reversa, o DNA pró-viral é associado com proteínas virais e celulares em um grande complexo nucleoproteico de pré-integração (PIC) que é transportado para o núcleo celular através do poro nuclear. 4,5,8

     

    Temos depois, a fase tardia do ciclo de replicação, quando há sintése de mRNA, que será transportado para fora do núcleo e passará pela tradução das proteínas virais. As poliproteínas se movem para a membrana celular e começam a montagem do vírion e as enzimas virais, RNA genômico e compostos celulares se associam no nucleocapsídio imaturo. Mais tarde, este complexo brota através da membrana plasmática produzindo um vírion imaturo. O processamento das proteínas virais pela protease leva à formação das partículas virais maduras e infecciosas. 4,5,8

    Figura2: Ciclo de replicação do HIV. Adaptado a partir das referências4-6

O que é AIDS?

A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) é a fase mais grave da infecção pelo HIV. Diversas infecções, neoplasias e outros agravos são considerados definidores de AIDS, sinais de imunodeficiência grave. Destacam-se: pneumocistose, neurotoxoplasmose, tuberculose pulmonar atípica ou disseminada, meningite criptocócica, retinite por citomegalovírus, sarcoma de Kaposi, linfoma não Hodgkin e câncer de colo uterino, em mulheres jovens. 1,3,9

A intensa ativação imuno-inflamatória decorrente da replicação do HIV na ausência de terapia antirretroviral pode causar dano direto a certos órgãos e tecidos, com risco de agravos como miocardiopatia, nefropatia e neuropatias. 9

  • Referências

    1. BRASIL. Departamento de DST, Aids e hepatites virais. O que é HIV. Disponível em: < http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-e-hiv>. Acesso em: 20 set. 2017.
    2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. What are HIV and AIDS? 2017. In: UNITED STATES OF AMERICA. Department of Health & Human Service. Disponível em: <https://www.hiv.gov/hiv-basics/overview/about-hiv-and-aids/what-are-hiv-and-aids>. Acesso em: 20 set. 2017.
    3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Manual técnico para o diagnóstico da infecção pelo HIV. Disponível  em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_diagnostico_infeccao_hiv.pdf >. Acesso em: 20 set. 2017
    4. COSTA, IB. Epidemiologia molecular do vírus da imunodeficiência humana 1 (HIV-1) em mulheres (mães e grávidas) dos estados do Acre e Tocantins, Brasil. Belém: Universidade Federal do Pará, 2009. 118 p. Dissertação de mestrado. Disponível em: <http://www.baip.ufpa.br/arquivos_baip/teses_dissertacoes/IRAN_BARROS_COSTA.pdf>. Acesso em: 20 set. 2017.
    5. FERREIRA, RCS. et al. HIV: mecanismo de replicação, alvos farmacológicos e inibição por produtos derivados de plantas. Quim Nova, 33(8): 1743-55, 2010.
    6. THINKSTOCK BY GETTY IMAGES. HIV replication cycle, item number 509233595. Disponível em: <http://www.thinkstockphotos.com/image/stock-illustration-hiv-replication-cycle/509233595/popup?sq=HIV%20REPLICATION/f=CPIHVX/s=DynamicRank>. Acesso em: 11 set. 2017.
    7. MESQUITA JÚNIOR, D. et al. Sistema imunitário – parte II fundamentos da resposta imunológica mediada por linfócitos T e B. Rev Bras Reumatol, 50(5): 552-80, 2010.
    8. MEDEIROS, RB. Citocinas e a modulação da resposta imune durante infecção pelo HIV -suscetibilidade à infecção e progressão para a AIDS. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2016. 151 p. Tese de doutorado. Disponível em: < https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/150748/001008044.pdf?sequence=1>. Acesso em: 25 set. 2017.
    9. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para adultos vivendo com HIV/AIDS. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 214 p. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2013/55308/protocolo_13_3_2014_pdf_28003.pdf>. Acesso em: 25 set 2017.