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Infecções do Trato Urinário (ITU) em mulheres grávidas e não grávidas

As infecções do trato urinário (ITU) são uma condição comum entre as mulheres. Dados apontam que, anualmente, mais de 10% das mulheres serão afetadas por ITU e mais de 50% da população feminina terá pelo menos um episódio de ITU durante a vida. Além disso, estudos epidemiológicos revelam que 24% das mulheres voltaram a sofrer os sintomas após 6 meses da primeira infecção, e 2% a 5% desenvolveram ITU recorrente (ITUr).

Há uma preocupação atual quanto ao desenvolvimento de cepas de bactérias resistentes, devido ao uso incorreto ou empírico de antibióticos de amplo espectro para infecções leves, contribuindo para a seleção de cepas cada vez mais resistentes - enterobactérias produtoras de beta lactamase de espectro estendido (ESBL). Em geral, observa-se tal fenômeno mais frequentemente com as cepas de E.coli, Klebsiella spp., Enterobacter spp. e Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) e dessa forma, as opções terapêuticas em casos graves com infecção sistêmica acabam se tornando cada vez mais limitadas.

Pensando nisso, as sociedades médicas SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) e a SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial) se uniram em uma força-tarefa para alinhar sobre o manejo de bacteriúria assintomática e ITU não complicada em mulheres grávidas e não grávidas, baseado em evidências científicas, publicando um recente artigo na Elsevier Espanha, em 2020.

O diagnóstico da doença deve ser feito de forma correta, levando em consideração a sintomatologia da paciente. Em pacientes com disúria e aumento da frequência urinária sem secreção vaginal ou irritação, a probabilidade do diagnóstico de ITU é maior que 90%. Contudo, o padrão ouro para o diagnóstico de ITU é a urocultura. Após o diagnóstico, o tratamento deve sempre ser feito de maneira assertiva, a fim de mitigar ao máximo o surgimento de cepas resistentes. Dentre os fármacos elencados para o tratamento da ITU em mulheres, temos a amoxicilina com clavulanato de potássio e axetilcefuroxima, sendo eficazes contra os uropatógenos mais prevalentes.

Quanto ao tratamento, as sociedades participantes da força-tarefa reforçam que o uso de fluoroquinolonas não é recomendado em ITU não complicada, sob o risco de desenvolvimento de resistência bacteriana, além de não possuir um risco-benefício favorável. Dessa forma, recomenda-se o seguinte tratamento:

       

Tratamento recomendado para cistite não complicada em mulheres não grávidas
Fármaco Dose Duração
Primeira escolha recomendada
Fosfomicina Trometamol 3g Dose única
Nitrofurantoína 100 mg - 6 em 6 hras 5 dias
Segunda escolha recomendada
Cefuroxima 250mg 12 em 12 horas 7 dias
Amoxicilina-clavulanato 500/125mg 8 em 8 horas ou 875/125 mg 12 em 12 horas 7 dias

       

Esquema terapêutico para cistite mulheres grávidas
Fármaco Dose Duração
Amoxicilina-clavulanato 500/125mg 8 em 8 horas ou 875/125 mg 12 em 12 horas 7 dias
Cefuroxima 250mg 12 em 12 horas 7 dias
Fosfomicina trometamol 3g Dose única
Nitrofurantoína* 100mg - 6 em 6 horas 5 dias
*Nitrofurantoína não deve ser usada depois da 37ª semana de gestação

       

Dessa forma, o artigo preconiza a responsabilidade do prescritor na hora da escolha do antibiótico, devendo sempre ser feito de forma assertiva a fim de minimizar as chances do surgimento de cepas resistentes. Nesse sentido, os beta-lactâmicos constituem uma classe de antibióticos de suma importância para o tratamento das ITUs. Dentre estes, destaca-se a axetilcefuroxima como um dos fármacos mais promissores, sobretudo durante a gestação, uma vez que seu espectro de ação abrange os principais uropatógenos e apresenta um bom perfil de segurança durante a gravidez.

       

  • Referência:

    De Rossi, P., Cimerman, S., Truzzi, J. C., Cunha, C. A. da, Mattar, R., Martino, M. D. V., … Gales, A. C. (2020). Joint report of SBI (Brazilian Society of Infectious Diseases), FEBRASGO (Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Associations), SBU (Brazilian Society of Urology) and SBPC/ML (Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine): recommendations for the clinical management of lower urinary tract infections in pregnant and non-pregnant women. The Brazilian Journal of Infectious Diseases. doi:10.1016/j.bjid.2020.04.002