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Notas Essenciais

O Lúpus Eritematoso Sistêmico está associado ao acúmulo progressivo de dano a órgão irreversível, que demonstrou ser um preditor de mais dano, morbidade e mortalidade precoce

A determinação do grau ou intensidade da doença, num dado momento, estabelece critérios terapêuticos e, a longo prazo, ajuda a identificar o grau de dano progressivo do paciente

O belimumabe é um anticorpo monoclonal humano dirigido contra o fator ativador dos linfócitos B, de eficácia comprovada no Lúpus Eritematoso Sistêmico quando associado ao protocolo de tratamento padrão

Os pacientes tratados com belimumabe e com o seu tratamento habitual durante o período do estudo tiveram uma diminuição da incidência de dano a órgão acumulado e não tiveram efeitos adversos inesperados

Nos pacientes de maior risco, por terem dano a órgão pré-existente, também se observou uma baixa incidência de dano a órgão acumulado. Estes resultados sugerem que existe um efeito favorável do belimumabe no desenvolvimento de dano a órgão futuro

Estamos diante do primeiro estudo que investiga a resposta a longo prazo do belimumabe sobre o dano a órgãos em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico, e os resultados são promissores para a prevenção da progressão do dano. O aparecimento de novos estudos controlados nesta linha ajudará a confirmar esta resposta

A resposta a longo prazo do belimumabe poderia explicar-se em parte pelo seu efeito sobre a terapia padrão; permitindo a redução da dose de corticoides, e pelo seu efeito inibidor sobre a frequência dos flares da doença lúpica

  • Dano a órgão acumulado a longo prazo e segurança nos pacientes com lúpus eritematoso sistêmico tratados com belimumabe mais terapia padrão.

     

    O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune complexa com um curso clí- nico caracterizado por episódios de exacerbação e remissão, que pode afetar qualquer órgão, podendo causar acúmulo de dano a órgão irreversível, como consequência da atividade da doença e da toxicidade derivada da terapia padrão.

     

    Outros fatores como a duração da doença, a atividade lúpica inicial e o dano a órgão prévio são determinantes para o desenvolvimento posterior de mais dano a órgão.

     

    O belimumabe é um anticorpo monoclonal humano dirigido contra o fator ativador dos linfócitos B (BAFF), de eficácia comprovada no tratamento do LES quando se associa à terapia padrão. Atualmente, existem dois estudos internacionais, ainda abertos, que estão investigando a segurança deste fármaco e o dano a órgão acumulado a longo prazo, em pacientes com diferentes graus de gravidade do LES no início do tratamento.

     

    Os autores deste trabalho apresentam os resultados correspondentes à análise conjunta dos dados gerados a partir de ambos os estudos, para examinar a segurança a longo prazo do tratamento com belimumabe e com um especial interesse no dano a órgão acumulado após 5-6 anos de estudo.

     

    Palavras Chave

    Lúpus Eritematoso Sistêmico, Segurança, Dano a órgão acumulado, Terapia padrão, belimumabe

  • José Luis Mateos, PhD Investigador pós-doutorado Faculdade de Biologia Universidad Complutense de Madrid

     

    Introdução

    O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica, que pode afetar praticamente todos os órgãos e tecidos do organismo. A maioria dos pacientes com lúpus tem uma evolução crônica, que cursa alternativamente com atividade e remissão que, se não forem tratadas oportunamente, conduzem a um dano progressivo acumulado e inclusive à morte. Os fatores como a idade do paciente, a duração da doença, a atividade da doença, a toxicidade do tratamento ou o dano a órgão prévio são determinantes para o desenvolvimento posterior de mais dano a órgão1,2.

     

    No entanto, na atualidade, o LES necessita de um tratamento curativo definitivo. O objetivo terapêutico consiste em controlar a atividade da doença, evitar o aparecimento de flare e o dano a órgão irreversível derivado da doença. Existem atualmente diferentes instrumentos para calcular, ou pelo menos definir, o grau de atividade do Lúpus Eritematoso Sistêmico num dado momento e como decidir a terapia a instaurar. Por um lado podem utilizarse “índices de atividade”, que avaliam o grau da doença lúpica a qualquer momento, e que pode oscilar desde a remissão ou atividade mínima ou nula, até atividade grave que comprometa a vida do paciente. No que diz respeito ao dano a órgão, o Índice de Dano Sistêmico (SDI, pelas suas siglas em inglês) da SLICC/ACR (Systemic Lupus International Collaborating Clinics/American College of Rheumatology), permite estabelecer o grau de dano tecidual irreversível desde o início da doença. O SDI é uma ferramenta validada e utilizada em numerosos estudos coorte observacionais e ensaios clínicos. O dano a órgão a partir do valor de SDI, associa-se a um aumento da morbidade e mortalidade3,4, e representa o dano irreversível acumulado desde o diagnóstico5.

     

    Desde a sua aprovação em 2011 pela Agência Europeia do Medicamento, como tratamento adjuvante do LES ativo no adulto, o belimumabe converteu-se no primeiro tratamento específico desenvolvido para esta patologia em mais de 50 anos6,7. Trata-se de um anticorpo monoclonal humano que se liga especificamente à forma solúvel da proteína estimuladora de linfócitos B humanos (BlyS), bloqueando a sua junção a estas células e reduzindo assim a replicação e maturação de células B a células plasmáticas produtoras de imunoglobulinas.

     

    A eficácia e segurança do belimumabe foi investigada em dois ensaios clínicos (BLISS-52 e BLISS-76) randomizados, controlados com placebo, que incluíram mais de 1.600 pacientes com doença ativa. Depois de 52 semanas de tratamento, o belimumabe em uma dose de 10 mg/kg adicionado à terapia padrão, demonstrou a sua superioridade face ao placebo mais terapia padrão na variável principal de eficácia, o índice combinado de resposta ao lúpus, SRI, na sua sigla em inglês. Desta forma, foram observados benefícios a respeito de outros critérios clínicos, como a redução da atividade da doença medida com a Escala de Atividade da Doença (Systemic Lupus Erythematosus Disease Activity Index, SLEDAI), na sua versão modificada SELENA (Safety of Estrogen in Lupus Erythematosus National Assessment) (SELENA-SLEDAI), diminuição dos flares graves e uso de esteroides. O tratamento com belimumabe foi geralmente bem tolerado, com taxas de eventos adversos semelhantes às observadas no grupo tratado com placebo6,7.

     

    O artigo que comentamos em seguida, publicado na revista Lupus [Lupus (2016) 25(7):699- 709], é uma análise dos dados agrupados procedentes de dois estudos abertos contínuos, que incluíram pacientes que completaram os ensaios clínicos pivotais do belimumabe, BLISS-52 e BLISS-76, para avaliar a segurança a longo prazo, e como fator chave o dano a órgão acumulado a longo prazo (5-6 anos).

     

    Desenho do estudo 

    O estudo em questão oferece uma análise agrupada dos dados de dois estudos contínuos, ainda em andamento, de desenho aberto e não controlado (BEL112233 [NCT00724867] e BEL112234 [NCT00712933]), feito com os pacientes que completaram os ensaios clínicos fase III BLISS-52 e BLISS-76, que receberam pelo menos uma dose de belimumabe (ou placebo) junto à terapia padrão. A análise de intenção de tratamento modificada (MITT, na sua sigla em inglês) foi realizada sobre uma população de 998 pacientes com diagnóstico de lúpus leve a moderado, que depois de completar os estudos BLISS-52 ou BLISS-76, foram incluídos nos estudos de continuação BEL112233 ou BEL112234, e receberam pelo menos uma dose de belimumabe.

     

    A variável principal do estudo consistiu em medir as alterações no valor de SDI a cada 48 semanas desde o seu valor basal durante os 5-6 anos de estudo, com finalidade de comprovar a evolução de dano a órgão nos pacientes com lúpus. Deste modo, procurava-se obter dados sobre o efeito a longo prazo do belimumabe sobre a evolução do dano a órgão desses pacientes. Nas variáveis secundárias incluíram-se a análise de diversos subgrupos de SDI (SDI basal de 0 ou ≥1; SELENASLEDAI basal ≤9 ou ≥10) e o tempo decorrido desde o primeiro agravamento no índice do dano a órgão SDI.

     

    Registraram-se igualmente os eventos adversos de interesse: neoplasias malignas, reações à infusão/anafilaxia/hipersensibilidade, infecções (incluindo infecções oportunistas, herpes zóster e sépsis), depressão, suicídio/lesão voluntária e morte.

     

    Dano a órgão acumulado e segurança do tratamento com belimumabe 

    Os pacientes com LES tratados com belimumabe e o seu tratamento habitual durante o período de estudo tiveram uma baixa incidência de dano a órgão acumulado e não tiveram efeitos adversos inesperados.

     

    No que diz respeito à variável principal de avaliação (SDI, SLICC Damage Index), 85,1% dos pacientes não apresentaram alterações em respeito ao dano a órgão inicial, e a mudança média no valor de SDI desde o início foi de 0,2 (0,48; n = 403).

     

    Entre os pacientes sem dano a órgão inicial, 87,6%, não apresentaram alterações no valor de SDI e a mudança média nos 5-6 anos de tratamento foi de 0,2 (0,44; n = 241). Em relação aos pacientes com dano a órgão inicial, 81,5% não evidenciaram alterações médias no índice de dano sistêmico e a mudança média foi de 0,2 (0,53; n = 162), enquanto que 22 pacientes (13,6%) evidenciaram um aumento de SDI de 1, e 8 pacientes (4,9%), um aumento de SDI de 2. A análise de outros subgrupos da amostra como os que completaram os 5 anos de estudo (n = 372), ou aqueles com doença lúpica sorologicamente ativa (n = 194), revelou uma mudança média de SDI também de 0,2. Por outro lado, nos pacientes em que ocorreu acú- mulo de novo dano a órgão, os tipos mais frequentes foram ocular, musculoesquelético e diabetes.

     

    A probabilidade de não ter um agravamento do valor de SDI foi de 0,83, e a mediana desde a progressão de dano a órgão foi de algo menos de dois anos (677 dias; n = 117). A análise post-hoc dos pacientes que tiveram um agravamento no SDI, em relação ao tempo decorrido desde o agravamento demonstrou que não houve diferenças entre os pacientes sem dano prévio (n = 53; 679 dias) em relação àqueles com lesão orgânica basal (n = 64; 672 dias). A progressão dano a órgão desta coorte é menor que a das outras coortes5,8,9. No entanto, ao avaliar os resultados, é importante considerar que os pacientes desta nova coorte tinham lúpus leve-moderado, sendo excluídos dos estudos BLISS os que tinham nefropatia grave e ativa ou comprometimento grave e ativo do sistema nervoso central. Ou seja, a população do estudo em questão e as coortes de pacientes de outros estudos podem não ser comparáveis. Também não se utilizou um grupo controle paralelo, de modo que as comparações foram feitas com coortes prévias de pacientes. É por esta razão que os resultados deveriam ser interpretados com o devido cuidado.

     

    Neste trabalho também se avaliou a progressão do dano a orgão em pacientes com uma maior atividade basal da doença e outros de menor atividade (SELENA-SLEDAI ≤9 e ≥10) e o resultado foi semelhante para ambos os subgrupos. Os autores especulam sobre um possível efeito benéfico de belimumabe sobre a evolução de dano a órgão acumulado incluindo em pacientes de maior risco de lesão irreversível. Este é o caso de pacientes com LES e dano a órgão pré-existente, como foi demonstrado em outros estudos de coortes observacionais9-11.

     

    Dentre os possíveis mecanismos que poderiam explicar a menor incidência dano a órgão acumulado entre pacientes tratados com belimumabe a longo prazo destacam-se: por um lado, a possibilidade de reduzir a dose de corticoide (<7,5 mg de prednisona/dia) comparada com o uso de terapia padrão isolada; e por outro a redução significativa que o belimumabe permite sobre o número de surtos da doença.

     

    Do mesmo modo, a segurança a longo prazo observada na análise foi coerente com o perfil de segurança conhecido do belimumabe e, além disso, 96,5% dos pacientes na população por intenção de tratar modificada tiveram um evento adverso (EA) em algum momento desde o início. A incidência de EAs diminuiu de 87,4% para 52,7% durante o estudo; um total de 313 pacientes (31,4%) tiveram um EA grave e 433 pacientes (43,4%) tiveram um EA relacionado com a medicação. Os EAs mais frequentes relacionados com a medicação foram as infecções e infestações (28,3%) assim como distúrbios gastrointestinais (13,9%). Notificaram-se 23 pacientes (2,3%) com infecções oportunistas (4 casos graves); e 87 pacientes (8,7%) referiram uma infecção por herpes zóster, sete delas graves.

     

    A taxa de abandonos por EA neste estudo foi de 8,5% (n = 85/998). Este resultado é semelhante ao publicado no único estudo adicional de continuação com belimumabe a longo prazo12, onde a taxa de descontinuação/100 pacientes-ano por EA oscilou entre 1,9-6,4% durante um período de seguimento de 7 anos.

     

    Conclusão 

    Embora se trate de um estudo aberto de extensão, os resultados sugerem que as expectativas de futuro do belimumabe no tratamento do LES são promissoras no que diz respeito a sua segurança a longo prazo. Após 5-6 anos de tratamento com belimumabe juntamente com a terapia padrão observa-se uma baixa incidência de acú- mulo de dano a órgão, incluindo para os pacientes de maior risco (com dano a órgão pré-existente). No entanto, seria apropriado realizar mais estudos para avaliar esta questão.

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  • Dr. Ian N Bruce. Professor de reumatologia na Arthritis Research UK Centre for Epidemiology, Centre for Musculoskeletal Research, University of Manchester

     

    O belimumabe controla melhor a atividade da doença e contribui para a redução do acúmulo de dano a órgão em pacientes com LES

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    Quais são os principais desafios no tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico?

    O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma patologia complicada de controlar e tratar, principalmente devido a sua natureza multissistêmica e às limitações da terapia padrão atual. Também encontramos limitações na nossa capacidade de entender qual é o tratamento mais adequado para cada paciente individual. Como resultado disto, o lúpus continua a comportar um risco significativo de morbidade e mortalidade, com dano a órgão a longo prazo, risco de infecção e riscos relacionados com a terapia atual, como a osteoporose e diminuição da espessura da pele secundárias aos corticoides. Finalmente, os pacientes têm limitações significativas na qualidade de vida devido a cansaço, limitações físicas e estresse psicológico relacionado com o lúpus e o fato de terem uma doença crônica.

     

    Em que se diferencia o seu estudo de outros realizados previamente para o lúpus?

    Este estudo foi um estudo de extensão a longo prazo dos ensaios clínicos de belimumabe para entender, ao longo de um período de tempo prolongado, como o dano se acumulava em pacientes tratados com belimumabe depois de completarem o programa do ensaio.

     

    Considera que a prevenção do acúmulo de dano a órgão um objetivo no tratamento do lúpus?

    Creio que é, sem dúvida, um objetivo importante no tratamento do LES. Isto é porque o dano a órgão permanente irreversível é um preditor de mortalidade futura e além disso cria só por si uma morbidade significativa. Por exemplo, os acidentes cerebrovasculares e o enfarte do miocárdio deterioram a capacidade funcional dos pacientes a longo prazo, tal como a insuficiência renal, as cataratas e a lesão óssea, como a osteoporose e a necrose avascular.

     

    Qual é a sua opinião, como médico especialista em lúpus, sobre os resultados obtidos com o belimumabe neste estudo?

    Este estudo de extensão a longo prazo mostrou um lento acúmulo de dano ao longo dos 5-6 anos de tratamento com belimumabe. A mudança média (DP) no índice de lesão SLICC/ACR (Systemic Lupus International Collaborating Clinics/American College of Rheumatology) foi +0,2 (0,48) nos 5-6 anos de estudo. Globalmente, 85% dos pacientes não mostraram alterações desde a sua pontuação basal no índice de lesão SDI. Obviamente, este não foi um estudo controlado e para os pacientes do estudo de extensão não havia um grupo comparador. Apesar disso, a baixa taxa de dano a longo prazo observada nesta população (comparada com o comunicado na literatura de outras coortes) coloca a possibilidade que a exposição a longo prazo ao belimumabe poderá ter um efeito benéfico sobre o acúmulo de dano futuro.

     

    Até que ponto é importante que pacientes com dano ao órgão pré-existente também apresentem diminuição das taxas globais de dano neste estudo?

    É bem conhecido que os pacientes com dano pré-existente têm maior probabilidade de acumular mais dano ao longo do tempo. Neste estudo, observamos uma maior taxa de acúmulo de dano nos pacientes com dano pré-existente em comparação com os que não tinham dano no momento inicial. Porém, incluindo no primeiro grupo, 81,5% não apresentaram mudanças na pontuação do SDI ao longo do tempo de acompanhamento.

     

    Como explica que as taxas de acúmulo de dano neste estudo foram semelhantes nos pacientes com nível altos e baixos de atividade da doença a nível basal?

    É difícil dar uma explicação precisa sobre o porquê destas observações. Porém, sabemos a partir de uma análise secundária prévia a este conjunto de dados (van Vollenhoven et al Ann Rheum. Dis. 2012;71:1343) que os pacientes com uma elevada atividade da doença a nível basal tinham uma maior probabilidade de responder ao belimumabe. Isto poderia, portanto, refletir o fato de que há mais respondedores nos pacientes com doença muito ativa no momento basal. Desta forma o melhor controle da doença inflamatória poderia traduzir-se num menor dano futuro.

     

    No seu ponto de vista, quais os benefícios que o tratamento com belimumabe poderia proporcionar para ajudar a conseguir uma baixa taxa de acúmulo de dano a órgão?

    Esta é uma pergunta interessante, e se estes resultados forem apoiados pelos de outros estudos, teremos então boas razões para explicar porque é que o tratamento com belimumabe pode conduzir a esta melhoria. Em primeiro lugar, sabemos que os pacientes tratados com belimumabe teriam uma melhor resposta clínica, utilizando o índice de resposta SRI, do que os pacientes que recebessem apenas terapia padrão, de modo que o primeiro mecanismo poderia ser um melhor controle da atividade da doença inflamatória. Obviamente, os pacientes que tivessem um melhor controle da atividade da doença inflamatória também poderiam ser capazes de reduzir os corticoides ao longo do tempo e sabemos que a exposição prolongada aos esteroides se associa ao dano futuro. Um agente como o belimumabe, que pode controlar a atividade da doença e modular a exposição a longo prazo dos esteroides, poderia, portanto, ter um duplo benefício na redução das taxas de acúmulo de dano.

     

    Pode comentar brevemente os efeitos adversos registrados no tratamento a longo prazo com belimumabe neste estudo?

    Descreveram-se diversos efeitos adversos em estudos prévios com belimumabe e estudos de coortes a longo prazo. As taxas de efeitos adversos, como infecções, distúrbios gastrointestinais e outros menos comuns, estavam alinhados com os de estudos prévios com belimumabe e não se identificaram novos problemas de segurança.

     

    Globalmente, tendo em conta os resultados de eficácia e segurança, qual é a sua conclusão sobre este estudo do tratamento com belimumabe a longo prazo?

    Concluímos que os pacientes com LES, tratados com belimumabe a longo prazo, além da terapia padrão, tiveram uma baixa incidência de novo acúmulo de dano a órgão. Além disso, não identificamos nenhum efeito adverso novo inesperado no acompanhamento a longo prazo. A baixa taxa de acúmulo de dano ocorreu inclusive em pacientes com níveis elevados de atividade da doença no momento basal, assim como naqueles com dano a órgão pré-existente. Seria desejável que fossem efetuados mais estudos para confirmar estas observações iniciais e para provar as hipóteses levantadas por este estudo, com a finalidade de compreender melhor os mecanismos e a magnitude destes possíveis benefícios.

     

    Dados os resultados obtidos neste momento, que pacientes considera candidatos a tratamento com belimumabe?

    Dentro da União Europeia, o belimumabe está indicado como tratamento adjuvante em pacientes adultos com LES ativo, positivo a autoanticorpos com um alto grau de atividade da doença (por exemplo, anti-DNAdc positivo e baixo nível de complemento), além da terapia padrão. Atualmente, há estudos em curso para avaliar a eficácia do belimumabe em outros cenários clínicos.

  • Interações medicamentosas: não foram realizados estudos de interação com o belimumabe. Em estudos clínicos sobre pacientes com LES, a administração concomitante de micofenolato mofetil, azatioprina, hidroxicloroquina, metotrexato, antiinflamatórios não esteroides, aspirina e inibidores da HMG-CoA redutase não teve efeito expressivo sobre as exposições ao belimumabe. 

    Contraindicação: pacientes que apresentaram anafilaxia em decorrência de seu uso. 

    Reações adversas: Muito comuns (>1/10): Infecções não oportunistas, virais ou bacterianas; diarreia; náuseas. Comuns (>1/100 e <1/10): Leucopenia, reação de hipersensibilidade, depressão, dor nas extremidades, reação sistêmica relacionada à infusão. Incomuns (>1/1.000 e <1/100): Reação anafilática. 

    Precauções e Advertências: Casos de Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP), podem ocorrer com belimumabe, assim como com outros imunossupressores.

  • Benlysta® pó liofilizado para solução para infusão intravenosa (belimumabe). Indicação: terapia adjuvante em pacientes adultos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, que apresentam alto grau de atividade da doença (ex: anti-DNA positivo e baixo complemento) e que estejam em uso de tratamento padrão para LES, incluindo corticosteroides, antimaláricos, AINEs ou outros imunossupressores. Contraindicação: pacientes que apresentaram anafilaxia em decorrência de seu uso. Advertências e precauções: Não se recomenda o uso de Benlysta® em combinação com terapia biológica ou com ciclofosfamida. A administração de belimumabe pode resultar em reações à infusão e hipersensibilidade, que podem ser graves e fatais. No caso de reação grave, deve-se interromper a administração de belimumabe e administrar apropriado tratamento. Os pacientes com histórico de alergias a múltiplos medicamentos ou de hipersensibilidade significativa podem ter risco aumentado de reações. A pré-medicação com um antihistamínico oral, com ou sem antipirético, pode ser administrada antes da infusão de Benlysta®. Os pacientes devem ser monitorados durante e por um período de tempo apropriado após a administração de Benlysta®. Também foram observadas reações do tipo tardias, reações de hipersensibilidade não agudas, incluindo rash, erupções cutâneas, náusea, fadiga, mialgia, dor de cabeça e edema facial. O mecanismo de ação de belimumabe pode aumentar o risco para o desenvolvimento de infecções. Infecções graves, incluindo casos fatais, foram relatados em pacientes com LES que receberam terapia imunossupressora, incluindo belimumabe. Os pacientes que desenvolverem uma infecção durante o tratamento com belimumabe devem ser monitorados rigorosamente e deve-se considerar a interrupção da terapia imunossupressora. Os médicos devem ter cuidado ao considerar o uso de belimumabe no caso de pacientes com infecções severas ou crônicas. O mecanismo de ação do belimumabe pode aumentar o risco potencial para o desenvolvimento de neoplasias. Em estudos clínicos não houve diferença na taxa de doenças neoplásicas entre o grupo tratado com belimumabe e o tratado com placebo. Não se deve administrar vacinas com vírus vivos por 30 dias antes ou concomitantemente à belimumabe porque a segurança clínica não foi estabelecida. Houve mais relatos de óbitos com Benlysta® do que com placebo durante o período controlado dos estudos clínicos. Não houve predominância isolada de causa das mortes. As etiologias incluíram infecção, doença cardiovascular e suicídio. Em estudos clínicos, as taxas de resposta do desfecho primário foram inferiores nos indivíduos negros do grupo Benlysta® em relação aos do grupo placebo. Benlysta® deve ser utilizado com cuidado em pacientes da raça negra. Os pacientes que recebem Benlysta® devem ser instruídos a entrar em contato com seu profissional de saúde caso tenham casos novos ou agravados de depressão, pensamentos suicidas ou outras alterações de humor. Casos de Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP), inclusive fatais, e que resultaram em déficits neurológicos têm sido relatados em pacientes com LES que receberam farmacoterapia imunossupressora, incluindo belimumabe. Caso a LMP seja confirmada, deve-se considerar a interrupção da terapia imunossupressora, incluindo belimumabe. Uso em gravidez e lactação: Só se deve usar belimumabe durante a gravidez se o possível benefício para a mãe justificar o risco potencial para o feto. Se a prevenção da gravidez for mandatória, mulheres férteis devem adotar os métodos anticoncepcionais adequados ao longo de toda a terapia com belimumabe e durante pelo menos quatro meses após a conclusão do último tratamento com esse agente. Não se estabeleceu a segurança de belimumabe durante a lactação. Recomenda-se que a decisão a respeito do tratamento com belimumabe em lactantes seja tomada levando-se em consideração a importância da amamentação materna para o lactente, da medicação para a mãe, e qualquer potencial efeito adverso tanto de belimumabe quanto da condição materna subjacente para o lactente. Categoria B de risco na gravidez. Reações adversas: Muito comuns (>1/10): infecções (não oportunistas), infecções bacterianas (por exemplo, bronquite, cistite), diarreia, náuseas. Comuns (>1/100 e <1/10): gastroenterite viral, faringite, nasofaringite, leucopenia, reação de hipersensibilidade, depressão, insônia, enxaqueca, dor nas extremidades, pirexia e reação sistêmica relacionada à infusão. Incomuns (>1/1.000 e <1/100): reação anafilática, angioedema, exantema, urticária. Raras (>1/10.000 a <1/1.000): reações do tipo tardias, reações de hipersensibilidade não agudas. Interações medicamentosas: Não se realizaram estudos sobre interações medicamentosas de belimumabe. Em estudos clínicos sobre pacientes com LES, a administração concomitante de micofenolato mofetil, azatioprina, hidroxicloroquina, metotrexato, anti-inflamatórios não esteroides, aspirina e inibidores da HMG-CoA redutase não teve efeito expressivo sobre as exposições ao belimumabe. Posologia: O esquema posológico recomendável para adultos é de 10 mg/kg nos dias 0, 14 e 28 e, depois disso, em intervalos de 4 semanas sendo administrado por infusão intravenosa e devendo ser reconstituído e diluído antes da administração. Deve ser administrado por um profissional de saúde preparado para tratar reações de hipersensibilidade incluindo anafilaxia. A infusão deve ser feita durante o período de 1 hora. Não se deve administrar Benlysta® em infusão rápida ou bólus. É possível desacelerar a taxa de infusão ou interrompê-la caso o paciente apresente reação infusional. Deve-se suspender imediatamente a infusão se o paciente tiver reação adversa com risco de vida. Os pacientes devem ser monitorados durante e por um período de tempo apropriado após a administração de Benlysta®. Deve ser considerada a descontinuação do tratamento com Benlysta® quando não houver melhora no controle da doença após 6 meses de tratamento. Superdosagem: Existe uma experiência clínica limitada sobre superdosagem de belimumabe. A bula completa do medicamento e outras informações estão à disposição, sob solicitação ao Departamento de Informação Médica (DDG 0800 701 22 33 ou medinfo@gsk.com). USO ADULTO (a partir de 18 anos). VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. Reg. MS: 1.0107.0295 mBL_ Benlysta_inj_GDS13_ L0752

  • Long-term organ damage accrual and safety in patients with SLE treated with belimumab plus standard of care

     

    Ian N Bruce

    Arthritis Research UK Centre for Epidemiology, Centre for Musculoskeletal Research, Institute for Inflammation and Repair, University of Manchester, Manchester Academic Health Sciences Centre, Manchester, UK

     

    The Kellgren Centre for Rheumatology,

    NIHR Manchester Musculoskeletal Biomedical Research Unit, Central Manchester University Hospitals NHS Foundation Trust, Manchester Academic Health Science Centre, Manchester, UK

     

    Murray Urowitz

    University of Toronto and Toronto Western Hospital, Toronto, ON, Canada

     

    Ronald van Vollenhoven

    Karolinska Institute, Stockholm, Sweden

     

    Cynthia Aranow

    The Feinstein Institute for Medical Research, Manhasset, NY, USA

     

    James Fettiplace

    GSK, Uxbridge, Middlesex, UK

     

    M Oldham

    GSK, Stevenage, Hertfordshire, UK

     

    Brian Wilson

    GSK, Research Triangle Park, NC, USA

     

    Charles Molta, David Roth, David Gordon

    GSK, Philadelphia, PA, USA

     

    Lupus. 2016 Jun;25(7):699-709.