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Pathological study of the 2019 novel coronavirus disease (COVID-19) through postmortem core biopsies.


Resumo

Os autores conduziram o presente estudo no Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan, China. Conforme salientado por este grupo de pesquisadores, há escassez de estudos envolvendo necropsias de pacientes falecidos por COVID-19. Por isso, foram realizadas core biópsias post mortem de fígado, pulmões e coração em 4 pacientes com diagnóstico de COVID 19 que tiveram desfechos fatais. As principais observações foram:

  • Os 4 pacientes falecidos (idades entre 59 e 81 anos) eram portadores de comorbidades, sendo que cada um apresentava ao menos uma das seguintes condições: leucemia linfocítica crônica (LLC), rim transplantado, cirrose, hipertensão e diabetes.
  • Todos os pacientes apresentavam pneumonia bilateral caracterizada tomograficamente por infiltrados em vidro fosco. Nas avaliações por imagens próximas aos óbitos, consolidações passaram a ser visualizadas.
  • As imagens em vidro fosco na tomografia de tórax representam a fase exsudativa inicial da pneumonia pela COVID-19.
  • Aspecto comum a todos os pacientes foram as manifestações de lesão alveolar difusa. Alterações relacionadas a este diagnóstico histopatológico se basearam no encontro de membrana hialina, exsudatos com fibrina, lesão epitelial e hiperplasia de pneumócitos tipo II. No caso com danos mais avançados detectou-se hemorragia alveolar, necrose fibrinóide em pequenos vasos, além de sinais inflamatórios sugestivos de broncopneumonia bacteriana associada.
  • A pesquisa de coronavírus por RT-PCR foi positiva em alguns pacientes no coração, fígado e pulmão, não obrigatoriamente encontrada de forma simultânea.
  • Core biópsia do coração foi obtida somente em dois pacientes, tendo sido encontrada discreta fibrose focal e leve hipertrofia miocárdica, achados possivelmente ocasionados pelas doenças de base.
  • O fígado apresentou dilatação sinusoidal leve, achado inespecífico em pacientes gravemente enfermos nos estados terminais. Demais alterações foram atribuídas às doenças prévias de cada caso.

Os autores concluíram que o achado pulmonar principal é a lesão alveolar difusa, sem fibrose pulmonar nos casos analisados. E que novos estudos com maior número de pacientes são necessários para o alcance de entendimento mais amplo sobre a patogênese da COVID-19.

  • Referências

    1.   TIAN, S. Pathological study of the 2019 novel coronavirus disease (COVID-19) through postmortem core biopsies. Modern Pathology Apr 14, 2020 Mar 30. doi.org/10.1038/s41379-020-0536-x

Para ter acesso ao artigo na íntegra, acesse:
https://www.nature.com/articles/s41379-020-0536-x

PATHOGENESIS OF COVID-19 FROM A PATHOBIOLOGIC PERSPECTIVE.


Resumo

O artigo publicado na ERJ em abril de 2020 descreve a patobiologia das 3 distintas fases do SARS-COV2, como veremos a seguir:

Fase 1: Assintomática (1-2 dias iniciais)

  • O vírus SARS-COV 2 aparentemente se liga às células epiteliais da cavidade nasal e inicia sua replicação através da ligação ao receptor ACE2.
  • Há propagação viral local, porém a resposta imune inata é limitada.
  • Pode ser detectado pelo Swab nasal.
  • Carga viral baixa, porém são pacientes infecciosos.

Fase 2: Resposta das vias aéreas superiores e vias aéreas condutoras (próximos dias subsequentes)

  • O vírus migra para as vias aéreas condutoras e começa a resposta imune inata mais robusta.
  • Detecção por Swab nasal, escarro e marcadores da resposta inata.
  • A doença já é clinicamente manifesta.
  • 80% dos indivíduos contaminados manifestarão a forma leve da doença, e poderão ser tratados em casa, com sintomáticos.

Fase 3: Hipóxia, opacidades tipo vidro fosco e progressão para Síndrome de Angústia Respiratória Aguda (SARA)

  • 20% dos indivíduos terão infiltrado pulmonar e progredirão para esta fase.
  • Aproximadamente 2-5% terão doença muito grave.
  • O vírus agora chega às unidades de troca gasosa, infectando e destruindo os Pneumócitos tipo II, geralmente nas áreas periféricas e subpleurais.
  • O resultado é Dano Alveolar Difuso (DAD), com formação de membrana hialina rica em fibrina levando a um ciclo de dano/reparo aberrante podendo culminar em fibrose mais rapidamente que outras formas de SARA.
  • A recuperação exigirá vigorosa resposta imune inata, adquirida e regeneração epitelial.
  • Referências

    1.  MASON, R.J. et. al. PATHOGENESIS O COVID-19 FROM A PATHOBIOLOGIC PERSPECTIVE. Eur Respir J 2020; in press. doi.org/10.1183/13993003.00607-2020

Para ter acesso ao artigo na íntegra, acesse:
https://erj.ersjournals.com/content/55/4/2000607

The neuroinvasive potential of SARS‐CoV2 may play a role in the respiratory failure of COVID‐19 patients.


Resumo

Os autores desse artigo de revisão alertam para a possibilidade de acometimento do sistema nervoso central (SNC) pelo SARS-CoV-2, fundamentada nas manifestações clínicas compatíveis e analogia com estudos prévios com o SARS-CoV e MERS-CoV. Seguem as principais considerações:

  • Análise genômica mostra que o SARS-CoV-2 tem a ancestralidade dos coronavírus (assim como MERS-CoV e SARS-CoV) e compartilha sequência  altamente homóloga com a SARS-CoV.
  • Pacientes com COVID-19 podem apresentar manifestações clínicas compatíveis com envolvimento neurológico, como cefaleia, náuseas, vômitos e rebaixamento do nível de consciência.
  • Estudos anteriores com SARS-CoV e MERS-CoV mostraram acometimento do cérebro e tronco cerebral.
  • Alguns coronavírus têm capacidade de disseminação neuronal, vias conexões sinápticas, para o centro cardiorrespiratório medular, advindos de mecanorreceptores e quimiorreceptores dos pulmões e vias aéreas periféricas. Esta manifestação pode danificar o centro respiratório medular e comprometer o controle ventilatório.
  • Considerando-se a similaridade entre SARS-Cov e SARS-CoV2, alerta-se para o acometimento do SNC no COVID-19 que pode, decorrente da disfunção do controle ventilatório neuronal, tornar mais desfavorável a evolução da insuficiência respiratória.
  • Estima-se ser de 8 dias a mediana de latência entre o início dos sintomas da COVID-19 e o desenvolvimento da insuficiência respiratória com indicação de UTI. Esse período seria suficiente para a invasão do SNC.
  • Observações recentes relatam doença cerebrovascular e deterioração do nível de consciência, em pacientes com formas graves da COVID-19.
  • Os autores alertam para a necessidade do tratamento precoce da COVID-19 para, entre outros benefícios, prevenir a disseminação neuronal do vírus e a destruição de neurônios medulares.
  • Referências

    1 YAN‐CHAO, LI. Et al. The neuroinvasive potential of SARS‐CoV2 may play a role in the respiratory failure of COVID‐19 patients. J Med Virol. 2020;1–4. https://doi.org/10.1002/jmv.25728, Accepted: 24 February 2020 DOI: 10.1002/jmv.25728

Para ter acesso ao artigo na íntegra, acesse:
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/jmv.25728