Você está deixando o Portal Médico GSK

Você está prestes a deixar o site da GSK. Ao clicar neste link, você será direcionado a um site que não pertence ou é controlado pela GSK. Portanto, a GSK não é responsável por demais conteúdos presentes neste site.

Continuar

Voltar

  

COVID-19 PNEUMONIA: WHAT HAS CT TAUGHT US?1

Elaine Y P Lee, Ming-Yen Ng, Pek-Lan Khong.

The Lancet Infectious Diseases, 2020.

Este artigo foi publicado online, no dia 24 de Fevereiro de 2020, no site da revista The Lancet.


Resumo

A Tomografia Computadorizada de Tórax  (TCT) tem sido uma importante modalidade de exame de imagem no diagnóstico e manejo de pacientes com pneumonia por coronavírus (COVID-19). Na recente publicação de Heshui Shi e colaboradores no The Lancet Infectious Diseases, foram discutidos os  achados do TCT, incluindo a evolução temporal das manifestações radiológicas da pneumonia, relacionando-as com as manifestações clínicas. Nessa, que é a maior coorte observacional de manifestações radiológicas do SARS-COVID19 até o momento,  foi observado que  os achados predominantes foram opacificação de vidro fosco, consolidações  bilaterais e  distribuição periférica e difusa. 2

Observou-se  no estudo de Shi e colaboradores, que um grupo de pacientes assintomáticos apresentou alterações precoces na TCT. Por outro lado, outros estudos têm mostrado pacientes sintomáticos respiratórios com resultados do  RT-PCR positivo para SARS-CoV-2 na ausência de alterações na TCT , além de alguns sintomáticos com achados anormais na TCT e falso negativo inicial  na RT-PCR para COVID 19 . Conforme a pandemia evolui , se observa a variedade de possibilidades na correlação clinica, radiológica e laboratorial, o que pode levar a um dilema para o médico na condução de pacientes com manifestações discordantes. 2

A evolução das manifestações tomográficas na  TCT ainda  não está bem entendida. Shi e colaboradores  relataram opacidades unilaterais em vidro fosco em um subgrupo de 15 pacientes assintomáticos com pneumonia COVID-19, confirmando relatos anedóticos anteriores de que pacientes assintomáticos podem ter alterações tomográficas  antes do início das manifestações clínicas. Este achado sugere que a TC é um exame com alta sensibilidade  para  detecção precoce da  pneumonia COVID-19 mesmo em indivíduos assintomáticos e poderia ser considerado como uma ferramenta de triagem,  juntamente com o RT-PCR , em  pacientes com  histórico significativo de viagem ou contato próximo com indivíduos infectados. A TCT pode ser uma ferramenta de triagem particularmente importante na pequena proporção de pacientes com história epidemiológica e manifestações clínicas compatíveis, e que têm RT-PCR falso-negativo. Foi mostrado também  que  lesões que estavam presentes em indivíduos assintomáticos progrediram para doença difusa bilateral com consolidações, em torno da primeira à terceira semana após o início dos sintomas. 2

Como conclusão temos que a pneumonia COVID-19 se manifesta com anormalidades na TCT, mesmo em pacientes assintomáticos, nos quais observou-se  rápida evolução das opacidades unilaterais focais para opacidades bilaterais difusas em vidro fosco, progredindo para consolidações bilaterais  dentro de 1-3 semanas. A avaliação combinada  das características de imagem, manifestações clínicas e achados laboratoriais podem facilitar o diagnóstico precoce de pneumonia COVID-19.1

  • Refêrencias

    1.  Lee EYP1, Ng MY2, Khong PL2. COVID-19 pneumonia: what has CT taught us? Lancet Infect Dis. 2020 Feb 24. pii: S1473-3099(20)30134-1. doi: 10.1016/S1473-3099(20)30134-1. [Epub ahead of print].

    2.  Shi H, Han X, Jiang N, et al. Radiological findings from 81 patients with COVID-19 pneumonia in Wuhan, China: a descriptive study. Lancet Infect Dis 2020; published online Feb 24.https://doi.org/10.1016/S1473-3099(20)30086-4

CLINICAL CHARACTERISTICS OF CORONAVIRUS DISEASE 2019 IN CHINA

W. Guan, Z. Ni, Yu Hu, W. Liang, C. Ou, J. He, L. Liu, H. Shan, C. Lei, D.S.C. Hui, B. Du, L. Li, G. Zeng, K.-Y. Yuen, R. Chen, C. Tang, T. Wang, P. Chen, J. Xiang, S. Li, Jin-lin Wang, Z. Liang, Y. Peng, L. Wei, Y. Liu, Ya-hua Hu, P. Peng, Jian-ming Wang, J. Liu, Z. Chen, G. Li, Z. Zheng, S. Qiu, J. Luo, C. Ye, S. Zhu, and N. Zhong, for the China Medical Treatment Expert Group for Covid-19.

New England Journal of Medicine, 2020. 

Este artigo foi publicado online, no dia 28 de Fevereiro de 2020, no site do New England Journal of Medicine.


Resumo

O artigo em questão aborda uma coorte selecionada de pacientes internados e ambulatoriais na China com diagnóstico de COVID-19, os quais foram registrados na Comissão Nacional de Saúde do referido país. O período compreendido de coleta dos dados foi entre 11 de dezembro de 2019 e 29 de janeiro de 2020. Somente incluídos no estudo os casos confirmados por meio de RT-PCR em swab nasal e faríngeo. No total, entraram no estudo 1099 pacientes.

Levantados dados referentes à história clínica, sintomas e sinais, resultados laboratoriais pertinentes aos casos e imagem de radiologia simples e tomografia computadorizada de tórax (TCAR). 

O desfecho primário composto foi admissão na UTI, necessidade de ventilação mecânica ou óbito, tendo sido os secundários a taxa de óbitos, o tempo entre o início dos sintomas e os desfechos compostos em conjunto ou cada um isoladamente. 

Os autores chegaram a resultados bastante relevantes e de valia para uso na prática diária nestes tempos de pandemia pelo coronavírus.

O tempo médio de incubação foi de 4 dias (interquartil de 2 a 7), com idade média de 47 anos (interquartil 35 a 58), sexo masculino em 58,1%. Em termos de sintomas, febre esteve presente em 43,8% na admissão e 88.7% durante o período de internação. Tosse registrada como segundo sintoma mais frequente em 67,8%. Náusea e vômitos em 5%, com diarreia em apenas 3,8%.

Em 23,7% da população estudada havia comorbidades, por exemplo hipertensão arterial sistêmica e/ou DPOC. Os casos não graves predominaram com 926 pacientes, comparando-se com 173 considerados graves, sendo estes mais idosos e com  maior associação com comorbidades.

Achados de imagem são extremamente importantes na abordagem inicial, sendo fundamental a TCAR pela identificação de infiltrado em vidro fosco (56,4%) e opacidades focais bilaterais (51,8%).

Laboratorialmente, linfopenia foi o achado mais encontrado (83,2%) com a magnitude de sua alteração proporcional à gravidade, além de trombocitopenia e leucopenia em 36,2% e 33,7% respectivamente. Elevação da proteína C reativa detectada na maioria dos pacientes, além do D-Dímero, transaminases e creatino kinase em proporções variáveis na amostragem do estudo.

O desfecho primário composto ocorreu em 67 pacientes (6,1%), 2,3% necessitaram ventilação mecânica e 1,4% evoluiu para óbito.

O tempo médio de internação foi de 12 dias. Tiveram diagnóstico de pneumonia 91,1%, destes cursaram com SDRA 3,4% e choque em 1,1%.

Os autores finalizam o estudo alertando que febre ou alterações radiológicas podem não ocorrer, fato responsável em alguns casos por dificultar e retardar o correto diagnóstico.

  • Referências

    1.  Guan WJ, Ni ZY, Hu Y, Liang WH, Ou CQ, He JX, et al.; China Medical Treatment Expert Group for Covid-19. Clinical Characteristics of Coronavirus Disease 2019 in China. N Engl J Med. 2020 Feb 28. doi: 10.1056/NEJMoa2002032. [Epub ahead of print].

Para ter acesso ao artigo na íntegra, acesse:
https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2002032

CHRONIC OBSTRUCTIVE PULMONARY DISEASE IS ASSOCIATED WITH SEVERE CORONAVIRUS DISEASE 2019 (COVID-19).

Lippi G, Henry BM.

Respiratory Medicine, 2020.

Este artigo foi publicado online, no dia 24 de março de 2020 no site da revista Respiratory Medicine.


Resumo

O neste artigo, os autores realizaram uma metanálise para avaliar se a DPOC está associada a maior chance de infecção grave por COVID-19. Foram avaliados sete estudos totalizando 1.592 pacientes com COVID-19. Destes, 314 (19,7%) apresentavam a forma grave da doença. No grupo de pacientes graves, a mediana de idade entre os estudos variou de 49 a 66 anos; e no grupo não grave de 37 a 52 anos. Quando os dados dos estudos individuais foram agrupados, foi observado que a DPOC estava significativamente associada ao COVID-19 grave, com razão de chances de 5,69 (intervalo de confiança de 95%: 2,49 - 13,00). Os autores não descreveram o número de pacientes com DPOC, seus dados clínicos e tratamentos que estavam utilizando. Portanto, não podemos inferir nenhuma outra avaliação.

Como conclusão desta metanálise foi demonstrado que a DPOC está associada a um risco de mais de cinco vezes maior de infecção grave por CODID-19 em comparação as pessoas sem DPOC. A implicação clínica que os autores descrevem é que os pacientes com histórico de DPOC devem adotar medidas mais restritivas para minimizar a exposição potencial ao SARS-CoV-2.

  • Referências

    1.  Lippi G, Henry BM. Chronic obstructive pulmonary disease is associated with severe coronavirus disease 2019 (COVID-19). Respir Med. 2020; published online Mar 24. https://doi.org/10.1016/j.rmed.2020.105941

Para ter acesso ao artigo na íntegra, acesse:
https://www.resmedjournal.com/article/S0954-6111(20)30081-0/fulltext