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Introdução

O congresso anual da American Urological Association (AUA) ocorreu em Boston, Estados Unidos, entre os dias 12 e 16 de maio de 2017. Trata-se do maior evento urológico internacional, contando com mais de 16 mil participantes oriundos de 100 diferentes países. O alto nível científico e a localização do congresso foram fatores cruciais para a presença de tantos congressistas. Boston é uma cidade moderna e sofisticada que se localiza na costa nordeste dos Estados Unidos e apresenta rica história colonial. Conta com inúmeras atrações culturais, universidades e museus renomados e é classificada como um dos 25 destinos mais procurados do país pelo Trip Advisor.


Esta separata traz os principais destaques apresentados durante os cinco dias do Congresso da AUA em Boston, com foco em novas diretrizes, em urologia funcional e em hiperplasia prostática benigna/sintomas do trato urinário inferior (HPB/LUTS).
1

NOVAS DIRETRIZES DA AUA

Durante as sessões plenárias do congresso, a AUA apresentou suas novas diretrizes para o tratamento de quatro patologias distintas: câncer de bexiga musculoinvasivo, câncer de células renais localizado, câncer de próstata e incontinência urinária de esforço em mulheres.

As novas diretrizes da AUA estão disponíveis online: http://www.auanet.org/guidelines

A AUA também disponibilizou um aplicativo para smartphones, compatível com os sistemas iOS e Android, chamado AUA Guidelines-At-A-Glance mobile app, com o objetivo de facilitar o acesso à informação.

 

NOVA DIRETRIZ DA AUA PARA O CÂNCER DE PRÓSTATA LOCALIZADO2

Disponível online em: http://www.auanet.org/Documents/education/clinical-guidance/Clinically-Localized-Prostate-Cancer.pdf

Segundo as novas diretrizes da AUA, o manejo dos pacientes com câncer de próstata localizado depende da estratificação de risco da doença, que foi desenvolvida em conjunto com a American Society for Radiation Oncology (ASTRO) e a Society of Urologic Oncology (SUO).

O uso de dutasterida concomitante pode reduzir o efeito da terapia de reposição de testosterona em homens com hipogonadismo? Um estudo randomizado e paralelo de 24 semanas3

MP91-15: Can concomitant dutasteride reduce the effect of testosterone replacement therapy in men with late-onset hypogonadism? A 24-week, randomized, parallel study. The Journal of Urology, April 2017, Vol. 197, Issue 4, Supplement, Page e1223.

Autores:
Hyun Jun Park, Tae Nam Kim, Jong Kil Nam, Du Geon Moon

Objetivos:
Examinar se o tratamento com dutasterida reduz a eficácia da terapia de reposição hormonal
(TRH) em homens com hipogonadismo. 

Métodos:
Estudo randomizado, de 24 semanas, em homens com idade >40 anos e HPB/LUTS (IPSS ≥12 pontos; volume prostático ≥30 mL) e níveis de testosterona <300 ng/dL (hipogonadismo sintomático) que estavam recebendo doses estáveis de alfabloqueadores quatro semanas antes da inclusão. Os pacientes foram divididos em dois grupos:

  • dutasterida 0,5 mg/dia + gel transdérmico com 10 g de testosterona (grupo DT; n=30).
  • gel transdérmico em monoterapia (grupo T; n=30).

O desfecho primário foi a mudança no escore de sintomas de hipogonadismo (Aging Male Symptoms, AMS), o desejo sexual (questão 17 do questionário AMS) e a função erétil (International Index of Erectile Function-5, IIEF-5).

Resultados:
Ambos os grupos demonstram melhoras significativas no parâmetros avaliados. Não houve
diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de tratamento no escore total do AMS (DT=-5,2 vs. T=-5,0; p=0,55), desejo sexual (DT=-2,5 vs. T=-2,3; p=0,23) e IIEF-5 (DT=-2,1 vs. T=-1,9; p=0,13). O volume prostático apresentou diminuição significativa no grupo DT em comparação ao grupo T (DT=-2,1 cc vs. T = 0,6 cc; p<0,01).

Conclusões:
O tratamento concomitante com dutasterida não reduziu os efeitos da TRH em homens com hipogonadismo. O inibidor da 5-alfarredutase se mostrou útil na prevenção do aumento do volume prostático, que pode ocorrer em vigência da TRH.

Padrões de manejo medicamentoso de bexiga hiperativa (BH) e hiperplasia prostática benigna (HPB) nos Estados Unidos: quem faz melhor?4

MP76-16: Patterns of medical management of overactive bladder (OAB) and benign prostatic hyperplasia (BPH) in the US: who does better? The Journal of Urology, April 2017, Vol. 197, Issue 4, Supplement, Page e1019.

Autores:

Jennifer Anger, Howard Goldman, Xuemei Luo, Martin Carlsson, Douglass Chapman, Kelly Zou, Fady Ntanios, David Russell, Canan Esinduy, J. Quentin Clemens

Introdução e objetivos:

A HPB e a BH são condições altamente prevalentes que impõem custos elevados ao sistema de saúde dos Estados Unidos. Apesar de o manejo medicamentoso ser o pilar do tratamento para ambas as condições, há poucos dados disponíveis para avaliar os padrões de uso de medicamentos e a aderência em longo prazo. Esse estudo avaliou os padrões de prescrição de medicamentos para HPB em homens e para BH em homens e mulheres, por meio de análise de banco de dados.

Métodos:

As informações constantes nos bancos de dados Truven Health MarketScan® Commercial e Medicare Supplemental Research sobre persistência, descontinuação e troca de medicamentos para HPB e BH foram avaliadas até 30 de setembro de 2013. 

Resultados:

31.701 mulheres e 7.208 homens receberam prescrições de medicamentos para BH; 69.079 homens receberam prescrições para HPB. (Tabela 1) A aderência ao tratamento medicamentoso foi maior para HPB do que para BH (56% vs. 34%, respectivamente), sendo mais significativa entre homens com idade ≥65 anos (62%). Pacientes com idades entre 18 e 64 anos tiveram menor aderência ao tratamento medicamentoso para HPB e BH em comparação a indivíduos com idade ≥65 anos.

Conclusões:

A aderência ao tratamento foi maior para os medicamentos utilizados para HPB em comparação àqueles usados para tratamento de BH, o que reflete melhor perfil de eficácia e tolerabilidade dos fármacos utilizados para HPB. 

Problemas do sono estão associados com risco aumentado de progressão da HPB: resultados do REDUCE5

MP09-08: Sleeping problems are associated with increased risk of BPH progression: results from REDUCE. The Journal of Urology, April 2017, Vol. 197, Issue 4, Supplement, Page e102.

Autores:

Brandee Branche, Lauren Howard, Daniel Moreira, Ramiro Castro-Santamaria, Gerald Andriole, Martin Hopp, Stephen Freedland

Introdução e objetivos:

Apesar da relação conhecida entre noctúria secundária à HPB e distúrbios do sono, não se sabe se os distúrbios do sono influenciam o desenvolvimento de HPB e sua progressão clínica. Esse estudo examinou a relação entre problemas do sono, aferidos por meio do questionário Medical Outcomes Study Sleep Scale (MOSSS-6), e desenvolvimento/progressão da HPB no grupo de placebo do estudo REDUCE (Reduction by Dutasteride of Prostate Cancer Events). 

Métodos:

O REDUCE foi um ensaio clínico randomizado de quatro anos de seguimento que avaliou a quimioprevenção do câncer de próstata com dutasterida em homens com PSA entre 2,5 e 10 ng/mL e biópsia negativa. Inicialmente, os pacientes completaram o questionário MOSSS-6, que avalia o sono e tem escore entre 1 e 100 pontos. Os homens foram acompanhados por quatro anos e o IPSS foi avaliado a cada seis meses. Para homens sem HPB sintomática inicialmente (IPSS <8 pontos), o desenvolvimento de HPB foi definido como dois valores de IPSS >14, necessidade de tratamento cirúrgico da HPB ou início de medicamento para HPB. Em homens com HPB sintomático inicialmente (IPSS ≥8 pontos), a progressão de sintomas da HPB foi definida como aumento ≥4 pontos no IPSS, necessidade de cirurgia para HPB ou início de medicamento para HPB. Em homens do grupo de placebo do REDUCE, que não faziam uso de alfabloqueadores, nem de inibidores da 5-alfarredutase no início do estudo (n=2.588), avaliou-se o desenvolvimento de HPB por meio de modelos de Cox ajustados para idade, raça, índice de massa corpórea (IMC), tabagismo, toque retal, volume prostático, PSA e IPSS basal.

Resultados:

Durante o acompanhamento, 209 de 1.452 homens (14%) sem HPB no início do estudo  desenvolveram HPB. De outro lado, 527 de 1.136 homens (46%) com HPB apresentaram progressão. A idade média foi de 62 anos e 90% eram brancos. O IMC médio foi de 26,8 kg/m2 e 15% eram fumantes. O escore médio do MOSSS-6 foi de 17. Na análise multivariada, escores mais elevados do MOSSS-6 se associaram com aumento do risco de ocorrência de HPB (HR=1,28; p=0,014). Entre homens com HPB no início do estudo, escores mais elevados do MOSSS-6 se associaram com risco aumentado de progressão de sintomas de HPB ao longo do seguimento (HR=1,23; p<0,001).

Conclusões:

Nos homens com sintomas de HPB no início do estudo, escores piores de sono predisseram o risco de progressão da HPB. Nos homens assintomáticos, escores piores de sono foram preditores do desenvolvimento de HPB. O presente estudo sugere que os sintomas de HPB podem ser ocasionados por distúrbios do sono. 

Quanto tempo os pacientes deveriam esperar antes de reiniciar a atividade sexual depois de cirurgia de HPB?6

MP84-05: How long should patients wait before resuming sexual activity after BPH surgery? The Journal of Urology, April 2017, Vol. 197, Issue 4, Supplement, Page e1140.

Autores:

Hanan Goldberg, Toronto, Canada, Liat Weinzvieg, Marc Lubin, Yariv Shtabholtz, Amihai Nevo, Chen Shenhar, Paz Lotan, Roy Mano, Daniel Halstuch, Dov Lask, Yaron Erlich, David Margel, Daniel Kedar, Jack Baniel, Ofer Yosseopowitch, Petach Tiqva

Introdução:

O tratamento cirúrgico da HPB é um procedimento comum na prática urológica. Dados sobre o momento mais apropriado para reiniciar atividades sexuais no pós-operatório são escassos na literatura médica.

Métodos:

Homens sexualmente ativos e encaminhados para cirurgia prostática foram prospectivamente avaliados por meio de questionários validados (IPSS, IIEF, EPIC) um mês antes e depois do procedimento. No momento da alta hospitalar, os pacientes foram orientados a reiniciar a atividade sexual quando sentissem vontade, sem se recomendar período específico de abstinência. Para avaliar as expectativas dos urologistas nesse contexto, um questionário estruturado foi utilizado para avaliar as recomendações médicas aos pacientes.

Resultados:

Setenta e um pacientes foram incluídos no estudo e cerca 50% foram submetidos a tratamento endoscópico. Mais de 80% tinham mais de 60 anos de idade e 90% eram casados. O IPSS pós-operatório teve melhora significativa, enquanto não foram detectadas diferenças estatisticamente significativas nos escores do IIEF e do EPIC. Quase todos os pacientes (94%) relataram retorno à atividade sexual com menos de um mês no pós-operatório e mais de 40% dentro de duas semanas. Dois terços relataram ejaculação retrógrada e 11% relataram sangramento leve. Apesar da queixa de dor durante o orgasmo por mais de 20% dos pacientes, apenas 10% decidiram postergar a atividade sexual por mais tempo. Setenta urologistas completaram o questionário estruturado. Mais de 94% trabalhavam em centros acadêmicos, a maioria tinha mais de 10 anos de experiência e mais de 50% relataram realizar acima de 60 cirurgias por ano. Mais de 50% recomendariam abstinência sexual por no mínimo um mês no pós-operatório. (Tabela 1)

Conclusões:

Enquanto a maioria dos urologistas recomenda abstinência sexual por no mínimo um mês após a cirurgia para HPB, o presente estudo sugere que mais de 94% dos pacientes poderiam retornar à atividade sexual mais precocemente no pós-operatório, com expectativa de eventos adversos mínimos.

O uso contínuo de antimuscarínicos depois da RTU de próstata em pacientes com HPB e sintomas de armazenamento, com necessidade de antimuscarínicos antes da cirurgia – um estudo nacional de base populacional7

MP09-15: The continuous use of antimuscarinics after TURP in BPH patients with storage symptoms requiring antimuscarinics before surgery – a nationwide population-based study. The Journal of Urology, April 2017, Vol. 197, Issue 4, Supplement, Pages e105–e106.

Autores:

Eric Yi-Hsiu Huang, Hsiao-Jen Chung, Chih-Chieh Lin, Ruo-Shin Peng, Yen-Hwa Chang, Alex T.L. Lin, Kuang-Kuo Chen

Objetivo:

Esse estudo investigou o uso de antimuscarínicos no pós-operatório de cirurgia de HPB em pacientes que apresentavam sintomas de armazenamento residuais e usavam essa classe medicamentosa antes da cirurgia.

Métodos:

O total de 3.431.366 pacientes foram inicialmente selecionados a partir do banco de dados National Insurance Research Database (NHIRD) de Taiwan entre 2006 e 2010. Pacientes com câncer de próstata ou de bexiga, aqueles com comorbidades que podem causar LUTS ou submetidos a procedimentos que podem causar retenção urinária foram excluídos da análise. Identificaram-se 2.224 pacientes que receberam antimuscarínicos nos seis meses que antecederam a RTU de próstata, acompanhados por mais de um ano no pós-operatório.

Resultados:

Dos 2.224 pacientes incluídos, 519 (23,3%) tiveram retenção urinária aguda enquanto usavam antimuscarínicos antes da RTU de próstata. A percentagem de pacientes que usava antimuscarínicos continuamente depois da RTU diminuiu significativamente do primeiro trimestre (26,4%) até o quarto trimestre (10,8%) e, a partir desse momento, manteve-se em platô. Segundo relato dos autores, os pacientes que não sofreram retenção urinária no pré-operatório tiveram maior chance de permanecer em uso contínuo de antimuscarínicos após a RTU. (Figura 1)

Conclusões:

Para pacientes com HPB e sintomas de armazenamento que utilizavam antimuscarínicos no pré-operatório, a necessidade de uso contínuo desses medicamentos após a RTU diminuiu gradativamente desde o primeiro até o quatro trimestre de pós-operatório. 

Características dos pacientes com sintomas do trato urinário inferior persistentes após HoLEP em HPB8

MP27-01: Characteristics of patients with persistent lower urinary tract symptoms after HoLEP in BPH. The Journal of Urology, April 2017, Vol. 197, Issue 4, Supplement, Page e328.

Autores:

Kang Sup Kim, Yong Sun Choi, Hong Jin Suh, Hyun Woo Kim, Joon Chul Kim, Donh Hwan Lee

Introdução e objetivos:

A enucleação da próstata por laser de hólmio (HoLEP) vem sendo difundida como modalidade de tratamento cirúrgico da HPB. Entretanto, alguns pacientes submetidos a HoLEP podem persistir com LUTS no pós-operatório. O presente estudo avaliou as características dos pacientes com LUTS persistentes após HoLEP que necessitaram de tratamento medicamentoso adicional. 

Métodos:

Trata-se de estudo retrospectivo que avaliou pacientes submetidos a HoLEP entre março de 2011 e junho de 2015. Os que tiveram acompanhamento por mais de seis meses no pós-operatório foram candidatos à inclusão. Os pacientes foram divididos em dois grupos:

  • grupo A: LUTS de esvaziamento persistentes;
  • grupo B: LUTS de armazenamento persistentes.

Fatores como idade, PSA, IPSS, volume prostático, fluxo máximo, capacidade cistométrica máxima, resíduo pós-miccional, volume ressecado e tempo cirúrgico foram analisados. 

Resultados:

De 482 pacientes submetidos a HoLEP, 138 (28,6%) necessitaram de tratamento medicamentoso para LUTS no pós-operatório. Desses, 53 (40,2%) foram incluídos no grupo A e 85 (59,8%) no grupo B. 

Conclusões:

Mais de 25% dos pacientes submetidos a HoLEP necessitaram de tratamento medicamentoso por LUTS persistentes no pós-operatório. Desses pacientes, cerca de 60% apresentavam LUTS de armazenamento. O maior volume da zona de transição se correlacionou com a persistência dos sintomas de armazenamento no pós-operatório.

Referências:

1. AMERICAN UROLOGY ASSOCIATION. Join us in the vibrant city of Boston, Massachusetts for the 112th AUA Annual Meeting! Disponível em: <https://www.eventscribe.com/2017/AUA2017/>. Acesso em: 28 jun. 2017.

2. SANDA, MG. et al. Clinically localized prostate cancer: Aua/Astro/Suo Guideline. Linthicum, Maryland: American Urological Association, 2017. 56 p. Disponível em: <http://www.auanet.org/guidelines/clinically-localized-prostate-cancer-new-(aua/astro/suo-guideline-2017)>. Acesso em: 13 jun. 2017.

3. PARK, HJ. Can concomitant dutasteride reduce the effect of testosterone replacement therapy in men with late-onset hypogonadism? A 24-week, randomized, parallel study. J of Urol, 197 (4 suppl): e1223,2017.

4. ANGER, J. Patterns of medical management of overactive bladder (OAB) and benign prostatic hyperplasia (BPH) in the us: who does better? J Urol, 197(4 suppl): e1019, 2017.

5. BRANCHE, B. et al. Sleeping problems are associated with increased risk of BPH progression: results from reduce. J of Urol, 197 (4 suppl): e102, 2017.

6. GOLDBERG, H. et al. How long should patients wait before resuming sexual activity after BPH surgery? J of Urol, 197 (4 suppl): e1140, 2017.

7. HUANG, EY. et al. The continuous use of antimuscarinics after TURP in BPH patients with storage symptoms requiring antimuscarinics before surgery – a nationwide population based study. J of Urol, 197 (4 suppl): e105-06, 2017.

8. KIM, KS. Characteristics of patients with persistent lower urinary tract symptoms after holep in BPH. J of Urol, 197 (4 suppl): e328, 2017.