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Respiradores bucais

Abordagem multidisciplinar para tratamento e prevenção de complicações médicas, sociais e comportamentais.

A Síndrome do Respirador Oral (SRO) é definida como um conjunto de sinais e sintomas que podem estar presentes completa- ou incompletamente em indivíduos que, em função de motivos diversos, substituem o padrão correto de respiração nasal por um padrão oral ou misto por um período igual ou superior a seis meses1.

Em um estudo publicado em 2008, a análise do motivo da consulta de 1.161 crianças e adolescentes em três ambulatórios de otorrinolaringologia do Sistema Único de Saúde (SUS) demonstrou que a SRO foi responsável por 47,7% da procura por atendimento médico. Pode-se considerar, portanto, que se trata de um importante problema de saúde pública, justificando que os órgãos de saúde façam mais investimentos em recursos humanos e instalações2.

A prevalência desta condição é desconhecida, mas alguns estudos no mundo mostram a prevalência de 6,6% em Délhi, na Índia3; e, entre crianças de 6 anos, em Avon, na Inglaterra, a prevalência é de 25%4. No Brasil, estudos também demonstram prevalências bastante distintas de respiradores bucais entre crianças: 56,8% em uma escola de ensino fundamental de Londrina (PR)5, 53,3% em Recife (PE)6, até 15,5% em Uruguaiana (RS)7. Os trabalhos presentes na literatura apontam como principais causas de respiração oral na infância a hipertrofia adenoamigdaliana e a rinite8,9.

Ao estudarem crianças respiradoras orais, Abreu et al. Detectaram as seguintes ações relacionadas: dormir com a boca aberta (86%), roncar (79%), coçar o nariz (77%), babar no travesseiro (62%), dificuldade respiratória noturna ou sono agitado (62%), obstrução nasal (49%) e irritabilidade durante o dia (43%)9.

O baixo rendimento escolar é um aspecto relevante observado nestes pacientes. Um estudo de 2010 correlaciona a obstrução das vias aéreas superiores e respiradores bucais com apneia obstrutiva do sono8. Portanto, atualmente, para crianças que apresentam quadro clínico de sono entrecortado, grau elevado de obstrução de via aérea superior e déficit de atenção, recomenda-se considerar realização de polissonografia8.

Considerando que a rinite alérgica é apontada como uma das causas mais frequentes de SRO na infância, deve ser ressaltada a importância da avaliação dos pacientes pelo alergista. Pode-se citar que, em um centro de referência para respiradores orais visando à abordagem  multidisciplinar, ao passar em consulta com o especialista, os pacientes são submetidos ao teste alérgico cutâneo (prick test) para determinar o padrão de sensibilização, permitindo a adoção de medidas para redução da exposição. Trata-se de um teste de alta sensibilidade e baixo custo, além de sua fácil realização10.

Alguns tratamentos cirúrgicos são necessários para pacientes com obstrução da via área superior, conforme elencado por Hermann et al: adenoamigdalectomia, adenoidectomia, amigdalectomia, adenoidectomia associada à cauterização de conchas inferiores, septoplastia com turbinectomia, septoplastia com turbinectomia e adenoidectomia e turbinectomia isolada10.

A atuação dos dentistas engloba estratégias de prevenção de cáries e doenças periodontais, comumente observadas no respirador oral.

Os ortodontistas atuam por meio de aparelhos dentários nas alterações relacionadas ao crescimento maxilomandibular e ao reposicionamento dos dentes11.

Os efeitos da respiração bucal são percebidos no sistema musculoesquelético e por esta razão é importante a avaliação fisioterapêutica12,13. As crianças com respiração nasal e com idade igual ou superior a oito anos apresentam melhor postura do que as que continuam a respirar por via oral após os oito anos de idade. A relevância da documentação de imagem é enfatizada por fornecer mais informação sobre as mudanças posturais14. Com o objetivo de analisar a postura de crianças com respiração oral e estudar a existência de correlações entre postura e volumes pulmonares, Silveira et al demonstraram redução significativa nos valores de função pulmonar dos respiradores bucais em relação aos respiradores nasais15.

Qualquer que seja a atuação fonoaudiológica, o trabalho se baseará na normalização funcional, que terá como objetivo regularizar a respiração, proporcionando16:

· Postura adequada de lábios, língua e maxilar16.

· Normalização do tônus muscular16.

· Adequação da mobilidade e motricidade16.

· Adequação da sensibilidade e propriocepção16.

· Normalização das funções de sucção, mastigação, deglutição e fala16.

· Adequação da respiração16.

· Aumento da capacidade pulmonar16.

· Restabelecimento do reflexo nasal de respiração16.

· Restabelecimento do olfato e da gustação16.

· Vedação bucal16.

· Automatização da respiração nasal16.

O paciente respirador oral deve ser reconhecido precocemente para que se beneficie das intervenções terapêuticas em uma fase ainda de desenvolvimento ósseo. De forma isolada, é mais difícil que os profissionais de saúde manejem adequadamente o respirador oral. Por isso a necessidade de uma equipe multiprofissional, na qual se tente envolver, além dos profissionais de saúde, os educadores, por estarem em contato estreito com as crianças13

  • Referências bibliográficas

    1. RIZZO, MC. RESPIRADOR ORAL. Disponível em: <http://www.sbp.com.br/PDFs/respirador_oral-SBP.pdf>. Acesso em: 25 abr. 2017.

    2. TPING, C. et al. ENT care of children and adolescents in the Brazilian public healthy system in three different municipalities. Braz J Otorhinolaryngol,74(4): 571-8, 2009.

    3. KHARBANDA, OP. et al. Oral habits in school going children of Delhi: a prevalence study. J Indian Soc Pedod Prev Dent, 21(3): 20-4, 2003.

    4. BONUCK, KA. et al. Prevalence and persistence of sleep disordered breathing symptoms in young children: a 6-year population-based cohort study. Sleep, 34(7): 875-84, 2011.

    5. FELCAR, JM. et al Prevalência de respiradores bucais em crianças de idade escolar. Cien Saude Colet, 15(2):437-44, 2010.

    6. MENEZES, VAD. et al. Prevalência e fatores associados à respiração oral em escolares participantes do projeto Santo Amaro-Recife,2005. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, 72:394-9, 2006.

    7. PETRY, C. et al. The prevalence of symptoms of sleep-disordered breathing in Brazilian schoolchildren. J Pediatr (Rio J), 4(2):123-9. 2008.

    8. IZU, SC. et al. Ocorrência da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) em crianças respiradoras orais. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 76:552-6, 2010.

    9. ABREU, RR. et al. Etiologia, manifestações clínicas e alterações presentes nas crianças respiradoras orais. Jornal de Pediatria, 84: 529-35, 2008.

    10. HERMANN, JS. Características clínicas de crianças respiradoras orais. Pediatr mod., 49(9), 2013. Disponível  em: <http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=5494>. Acesso em: 19 de maio 2017

    11. JAIN, A. et al. Mouth Breathing: A Menace to Developing Dentition - Review Article. Journal of Contemporary Dentistry, 4(3): 145-51, 2014.

    12. MORIMOTO, T. et al. Associação entre as alterações posturais e a respiração bucal em crianças. Fisioterapia em Movimento, 25: 379-88, 2012.

    13. COSTA, MD. et al. Achados da avaliação multiprofissional de crianças respiradoras orais. Revista CEFAC, 17: 864-78, 2015.

    14. KRAKAUER, LH. et al. Relationship between mouth breathing and postural alterations of children: a descriptive analysis. The International journal of orofacial myology: official publication of the International Association of Orofacial Myology, 26: 13-23, 2000.

    15. SILVEIRA, WD. et al. Alterações posturais e função pulmonar de crianças respiradoras bucais. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 76: 683- 6, 2010.

    16. MARSON, A. et al. Efetividade da fonoterapia e proposta de intervenção breve em respiradores orais. Revista CEFAC, 14: 1153-66, 2012.