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Segurança do uso de medicamentos para sintomas do trato urinário inferior em pacientes idosos  

Dr. Márcio Augusto Averbeck
CRM – RS 28361
Médico Urologista
GSK Internal Expert

 

Dr. Paulo Afonso Santos
CRM – RJ 72372-0
Head of Medical Affairs
MSL Group Manager

Mais recentemente, Wei e colaboradores, avaliaram a incidência de DM tipo 2 em homens recebendo inibidores da 5-alfa-redutase (dutasterida ou finasterida) para tratamento de sintomas de HPB. Os autores avaliaram dois bancos de dados (UK Clinical Practice Research Datalink – CPRD / Taiwanese National Health Insurance Research Database). 1

O CPRD incluiu um total de 55275 participantes (dutasterida = 8231; finasterida = 30774; tansulosina = 16270). A análise do banco de dados britânico demonstrou um modesto aumento no risco de DM2 para dutasterida (taxa ajustada = 1,32; intervalo de confiança = 1,08 – 1,61) e para finasterida (1,26; 1,10 – 1,45), em comparação à tansulosina. A análise do banco de dados de Taiwan demonstrou resultados semelhantes. Os autores concluíram que o risco de desenvolver DM2 parece ser maior em homens com HPB expostos ao tratamento com inibidores da 5-alfa-redutase (em comparação à tansulosina). 1


Contudo, a principal crítica a este estudo está relacionada às características basais da população incluída (CPRD), pois os pacientes que receberam dutasterida ou finasterida foram mais idosos, tiveram mais comorbidades e utilizaram mais corticosteroides orais e drogas cardiovasculares em comparação àqueles que receberam tansulosina (viés potencial). 1
 

A segurança do uso de tansulosina em pacientes idosos com HPB/LUTS também foi questionada em estudo publicado no ano de 2018 por Duan e colaboradores. Os autores avaliaram o banco de dados Medicare (2006-2012), incluindo homens com idade ≥65 anos e diagnosticados com HPB para verificar se existiria associação entre uso de medicamentos e demência. Pacientes recebendo tansulosina (n = 253.136) foram comparados com coortes de pacientes sem medicamentos para HPB (n = 180.926) e com coortes que utilizaram outras drogas: doxazosina (n = 28.581), terazosina (n = 23.858), alfuzosina (n = 17.934), dutasterida (n = 34.027) e finasterida (n = 38.767). O período de acompanhamento médio foi de 19,8 meses. 2

Os pacientes que receberam tansulosina tiveram uma incidência de demência de 31,3 para 1000 pessoas-ano, comparada com 25,9 para 1000 pessoas-ano na coorte de pacientes sem uso de medicamentos. O risco de demência foi maior no grupo tansulosina na comparação com os demais grupos de medicamentos (doxazosina, terazosina, alfuzosina, dutasterida e finasterida). Os autores concluíram que o uso de tansulosina poderia aumentar o risco de demência em homens idosos com HPB. 2


Este estudo também recebeu críticas da comunidade acadêmica internacional. Em comentário editorial publicado no periódico European Urology pelo Prof. Stephan Madersbacher (Viena, Áustria) e por Martin Michel, alguns pontos foram muito questionados:
 

1. Uma vez que as doses terapêuticas de outros alfabloqueadores causam inibição similar dos receptores alfa1-adrenérgicos em comparação à tansulosina, por que não houve associação entre demência e o uso de outros medicamentos da mesma classe terapêutica (doxazosina, alfuzosina, terazosina);
2. Vários estudos demonstraram que a tansulosina tem pouca penetração na barreira hematoencefálica. 4 Desta forma, permanece obscuro o entendimento de como uma droga poderia promover a ocorrência de demência com mínima penetração no sistema nervoso central.;
3.Independentemente e de considerações fisiopatológicas, as associações observadas por Duan e colaboradores foram com um seguimento médio inferior a 2 anos, o qual demasiado curto e não sugere um nexo causal;
 

Durante o Congresso da EAU 2019, Tae e colaboradores (Hospital Universitário de Ansan, Coréia do Sul) apresentaram um estudo que não verificou qualquer tipo de associação entre uso de alfabloqueadores e demência em pacientes com HPB. Os autores avaliaram o banco de dadosNational Health Insurance Service, que reúne informações de toda a população adulta coreana. Pacientes que receberam alfabloqueadores entre Janeiro de 2011 e Dezembro de 2011 foram acompanhados até Setembro de 2017. No total, 65.481 homens com HPB foram incluídos, com seguimento médio de 1.496 (±821,8) dias. A incidência de demência foi de 18,5% no grupo tansulosina, 19,1% no grupo doxazosina, 21,2% no grupo terazosina, 18% no grupo alfuzosina e 21,3% no grupo sem medicamentos. 5

De acordo com os autores, os achados deste extenso estudo de base populacional indicam que o uso de medicamentos para HPB não está associado com um risco aumentado de demência. 5
 

  

  • Referências Bibliográficas:

    1. WEI, L. et al. Incidence of type 2 diabetes mellitus in men receiving steroid 5α-reductase inhibitors: population based cohort study. BMJ, 365: l1204, 2019.

    2. DUAN, Y. et al. Tamsulosin and the risk of dementia in older men with benign prostatic hyperplasia. Pharmac Drug Saf, 27: 340-8, 2018.

    3. MADERSBACHER, S. et al. Tamsulosin and the risk of dementia in older men with benign prostatic hyperplasia. European Urology, 74: 522-3, 2018.

    4. FRANCO-SALINAS, G. et al. Pharmacokinetics and Pharmacodynamics of Tamsulosin in its Modified-Release and Oral Controlled Absorption System Formulations. Clin Pharmacokinet, 49(3): 177-88, 2010.

    5. TAE, BS. et al. Alpha-blocker and risk of dementia in patients with BPH: A nationwide population-based study using the National Insurance Service database. In: EAU, 2019. Virtual Poster Session (presented only in EAU 2019).

    6. COMBODART (dutasterida + tansulosina). Bula do produto.

  • BSIS Combodart (6)

    As seguintes reações adversas foram relatadas após uso de Combodart: impotência, alteração (diminuição) da libido, transtorno de ejaculação, problemas nas mamas, tonturas.

    Combodart não é indicado para mulheres, crianças e adolescentes e os mesmo não devem ter contato com o conteúdo das cápsulas. A síndrome intraoperatória da íris flácida (IFIS, variante da síndrome da pupila pequena) foi observada durante a cirurgia de catarata em alguns pacientes tratados com bloqueadores adrenérgicos alfa-1, inclusive tansulosina. 

  • Destaque contraindicação e interações medicamentosas (ANVISA) (6)

    CONTRAINDICAÇÕES: Combodart é contraindicado em mulheres e crianças; pacientes com hipersensibilidade a dutasterida , outros inibidores de 5α‐ redutase, tansulosina, ou qualquer um dos componentes da fórmula. Devem ser adotadas precauções para evitar a exposição durante a gravidez. 

    INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: Dutasterida e tansulosina não devem ser usadas em combinação com outros bloqueadores alfa-1-adrenérgicos.