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Psiquiatras enfrentam desafio em tempos de pandemia

Casos de ansiedade e depressão, entre outros transtornos mentais, disparam com a pandemia do coronavírus e o confinamento. Nesse contexto, veja algumas discussões sobre como você, psiquiatra, pode ajudar seus pacientes a manter um quadro clínico mais estável.

Os psiquiatras enfrentam um contexto totalmente novo. Grande parte das pessoas está confinada, muitas vezes, distantes de seus amigos e familiares, com o contato social se resumindo a chamadas de telefone ou ligações por vídeo. O medo de ser infectado é uma constante e o temor é multiplicado: pelas suas vidas e de seus entes queridos.

Se não bastasse a preocupação com a vida, ainda há o medo latente do desemprego, as finanças comprometidas, as crianças fora da escola e uma série de outras situações que, para muitos, são inéditas. Soma-se a tudo isso a sobrecarga de informações, rumores e informações erradas que podem criar a sensação de que está tudo fora de controle.

Durante epidemias, o número de pessoas cuja saúde mental é afetada tende a ser maior que o número de pessoas acometidas pela infecção. As tragédias anteriores mostraram que as implicações na saúde mental podem durar mais tempo e ter maior prevalência do que a própria epidemia e que os impactos psicossociais e econômicos podem ser incalculáveis se considerarmos sua ressonância em diferentes contextos.1

Uma pesquisa nacional na China relatou que cerca de um terço dos entrevistados experimentaram problemas psicológicos durante a pandemia de Covid-19. Estudos semelhantes no Reino Unido também revelaram sentimentos crescentes de ansiedade, depressão e preocupações generalizadas sobre o efeito do isolamento social no bem-estar, tanto na população em geral quanto entre pessoas com problemas de saúde mental pré-existentes.2

No Brasil, a situação não é diferente. Uma pesquisa do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), realizada entre março e abril com 1.460 pessoas em 23 estados, mostrou que os casos de depressão praticamente dobraram entre os entrevistados, enquanto as ocorrências de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%, nesse período.3

Um contexto completamente novo para a psiquiatria

Diante desse cenário, os psiquiatras enfrentam uma situação até então inédita. Como lidar com o possível agravamento dos sintomas de muitos de seus pacientes e orientá-los da maneira mais adequada para enfrentar um período difícil, repleto de medos e incertezas?

Um artigo publicado pela American Psychological Association também incentivou os psicólogos a sugere aos profissionais que explorem as teleconsultas durante a pandemia. De acordo com estudos realizados pela associação, tanto a telepsicologia quanto a telepsiquiatra são tão eficazes quanto o tratamento presencial tradicional.4

Os psiquiatras devem ainda ser cautelosos com comportamentos compulsivos atrelados ao contexto de pandemia, por exemplo, a dependência em jogos. Como, em muitos casos, as fontes de prazer são limitadas às atividades internas, as pessoas passam um tempo considerável em casa, assistindo à televisão e interagindo com aparelhos eletrônicos. Esse é outro comportamento ao qual os psiquiatras precisam prestar atenção.5

Como atenuar o impacto da pandemia na saúde mental dos pacientes

O mundo passa por um período extraordinário. Atividades e ações corriqueiras, que promoviam bem-estar e saúde, tendem a ficar de lado. As pessoas estão acostumadas a rotinas, seja para guiar os dias ou para tirar deles o máximo proveito. Quando tanta coisa parece fora de controle, estabelecer alguma estrutura no dia a dia pode ajudar a fornecer estabilidade e um “nova normalidade”.6

Pensar nas partes da sua rotina habitual que você mais valoriza e encontrar maneiras de encaixá-las neste momento pode ajudar. Como exemplo, almoçar com colegas por meio de bate-papo por vídeo ou encontrar uma aula de ginástica on-line.6

Para o Departamento de Psiquiatria da Universidade de Michigan e a Mayo Clinic, algumas atitudes podem fazer com que os pacientes manejem a depressão e as situações de estresse de maneira mais satisfatória durante a pandemia. Confira algumas:7,8

  • Definir períodos de tempo para atividades de autocuidado, como refeições nutritivas, alongamentos e caminhadas fora de casa, além da prática exercícios respiratórios e outras técnicas úteis, é importante. É fundamental ainda priorizar o contato com a família e os amigos por meio de telefonemas regulares.
  • Dormir o suficiente é essencial. Deve-se ir para a cama e levantar-se nos mesmos horários, todos os dias.
  • Os exercícios físicos regulares podem ajudar a reduzir a ansiedade e melhorar o humor. Encontrar uma atividade que inclua movimento, como aplicativos de dança ou exercícios, pode ser uma boa alternativa. Se o paciente morar em uma área em que é possível manter o distanciamento social, sair para se exercitar é possível – em uma trilha natural ou no próprio quintal da casa, seguindo sempre as orientações da Organização Mundial de Saúde, que incluem o uso de máscaras e a higienização frequente das mãos.
  • Se um paciente fica angustiado com o noticiário, ele deve fazer o possível para limitar o consumo de notícias a algumas horas específicas do dia (por exemplo, cerca de 15 minutos por dia, pela manhã, e 15 minutos por dia, à noite) para obter informações práticas importantes. É recomendável evitar assistir ou ler notícias nas mídias sociais, onde as informações podem ser exageradas ou incorretas.
  • Estabelecer prioridades é importante, definindo metas razoáveis a cada dia e descrevendo as etapas que podem ser seguidas para alcançá-las. Dar-se crédito por cada passo na direção certa, por menor que seja, e reconhecer que alguns dias serão melhores que os outros também ajuda a tranquilizar a mente.

Atenção à medicação do paciente9

Garantir que não haja interrupção nos regimes de medicação é prioritário, principalmente devido a possíveis interrupções na cadeia global de produtos farmacêuticos, como resultado da pandemia. Alguns psiquiatras estão aconselhando os pacientes a manter um estoque de medicamentos por 90 dias, visando gerenciar esse risco.

Pacientes com dependência química9

Os psiquiatras também devem ter atenção redobrada aos pacientes com dependências de opioides e submetidos a tratamento medicamentoso de desintoxicação. A falta de uma única dose única pode levar à recaída. 

Indivíduos com problemas de uso de substâncias são populações vulneráveis durante o período de pandemia, inclusive pelo risco maior de serem infectados pelo coronavírus. Além disso, aqueles que são viciados em drogas específicas e não puderam obtê-las recentemente, podem tentar criar bebidas alcoólicas caseiras, criando um grande risco de envenamento e até fatalidade.

    

  • Referências:

    1. ORNELL F, et al. "Pandemic fear" and COVID-19: mental health burden and strategies. Brazilian Journal of Psychiatry. 2020. Acesso em: 10 jul 2020. 

    2. NATURE MEDICINE. Keep mental health in mind. 2020. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41591-020-0914-4. Acesso em: 10 jul 2020. 

    3. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Pesquisa da Uerj indica aumento de casos de depressão entre brasileiros durante a quarentena. 2020. Disponível em: https://www.uerj.br/noticia/11028/. Acesso em: 10 jul 2020. 

    4. AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION SERVICES, INC. COVID-19 and psychology services: How to protect your patients and your practice. 2020. Disponível em: https://www.apaservices.org/practice/news/covid19-psychology-services-protection 

    Acesso em: 23 jul 2020. 

    5. KAR SK, et al. COVID-19 pandemic and addiction: Current problems and future concerns. Asian J Psychiatr. 2020. Acesso em: 10 jul 2020. 

    6. AUSTRALIAN GOVERNMENT DEPARTMENT OF HEALTH. Looking after your mental health during coronavirus (COVID-19) restrictions. 2020. Disponível em: https://www.health.gov.au/news/health-alerts/novel-coronavirus-2019-ncov-health- alert/ongoing-support-during-coronavirus-covid-19/looking-after-your-mental-health-during- coronavirus-covid-19-restrictions. Acesso em: 23 jul 2020. 

    7. MICHIGAN MEDICINE. Depression & Managing Stress during the COVID-19 Pandemic. Disponível em: https://medicine.umich.edu/dept/psychiatry/michigan-psychiatry-resources- covid-19/specific-mental-health-conditions/depression-managing-stress-during-covid-19- pandemic. Acesso em: 10 jul 2020. 

    8. MAYO CLINIC. COVID-19 and your mental health. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/coronavirus/in-depth/mental-health-covid- 19/art-20482731. Acesso em: 10 jul 2020. 

    9. NATIONAL ALLIANCE OF MENTAL ILLNESS. Coronavirus: Mental Health Treatment. Disponível em: https://www.nami.org/Blogs/NAMI-Blog/April-2020/Coronavirus-Mental-Health- Treatment. Acesso em: 10 jul 2020.