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Segurança do uso de medicamentos em pacientes idosos

 

Introdução

Entre 2005 e 2015, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil passou de 9,8% para 14,3%. Os dados são do estudo “Síntese de Indicadores Sociais (SIS): uma análise das condições de vida da população brasileira 2016”. Enquanto as proporções de idosos (idade ≥ 60 anos) e de adultos de 30 a 59 anos cresceram de 2005 a 2015 (respectivamente 4,5 e 4,8 pontos percentuais), caíram as proporções de crianças de 0 a 14 anos (5,5 p.p.) e de jovens de 15 a 29 anos (3,8 p.p.), demonstrando uma clara tendência de envelhecimento demográfico. Esta tendência traz implicações inerentes para o sistema de saúde no Brasil, com um possível aumento da demanda por atendimentos urológicos em função de sintomas do trato urinário inferior (LUTS).1

   

  • De acordo com os dados do LUTS Brasil, que incluiu 2433 homens com idade superior ou igual a 40 anos de 5 grandes cidades Brasileiras (São Paulo, Porto Alegre, Recife, Belém e Goiânia) entre 01/09 e 31/12 de 2015 (entrevistas telefônicas), 40% dos entrevistados relataram sintomas urinários ocorrendo aproximadamente em metade do tempo ou mais (segundo a definição 2 do estudo).3

    A prevalência aumentou com a idade: 36,1% entre os 40-49 anos, 45,4% entre os 50-59 anos, 60% entre os 60-69 anos e 71,3% com idade > ou igual a 70 anos.3

    Quanto aos sintomas urinários de esvaziamento (definição 2), 9,4% dos homens relataram jato fraco, 8% jato bipartido, 6,5% jato intermitente, 5,7% hesitação e 12,8% gotejamento terminal.3

    O estudo LUTS Brasil proporcionou importantes informações, que ratificam a alta prevalência de LUTS em brasileiros com idade superior a 40 anos.3

  • Idosos frequentemente sofrem com múltiplas comorbidades, as quais predispõem à polifarmácia e a prescrições inapropriadas.4

    Além disso, alterações na farmacocinética e farmacodinâmic a, secundárias à idade avançada, também precisam ser consideradas. Eventos adversos e interações medicamentosas são mais comuns em idosos.5

    Como resultado, os idosos são particularmente vulneráveis a certos medicamentos, como por exemplo os benzodiazepínicos de longa ação, os quais podem resultar em sedação prolongada e risco aumentado de quedas.6

    Desta forma, diversos medicamentos podem ser classificados como potencialmente inapropriados para idosos, tendo em vista o risco aumentado de eventos adversos e questões de segurança. 

    Várias classificações já foram publicadas para identificar e evitar medicamentos potencialmente inapropriados (MPI) para idosos.4 Nos Estados Unidos, a aplicação predominante é a de Beers.7 Na Europa, várias outras classificações foram previamente publicadas.5,8,9

  • A classificação FORTA (Fit fOR The Aged) foi introduzida em 2008 com o objetivo de facilitar a identificação de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos.5 A classificação FORTA representa o primeiro sistema de classificação que traz não somente os aspectos negativos, mas também informações positivas de medicamentos individuais ou classes medicamentosas.5 Portanto, é uma classificação diferente das listas negativas, como a lista de Beers (American Geriatrics Society)5 , os critérios STOPP (Screening Tool of Older Person´s Prescriptions)10 e a lista alemã PRISCUS.9

    A classificação FORTA se baseou em um processo de consenso Delphi que incluiu 25 especialistas e gerou uma lista com mais de 200 diferentes medicamentos individuais ou classes medicamentosas para mais de 20 áreas terapêuticas relevantes para idosos.5 Esta lista vem sendo constantemente expandida e refinada.5

    Na dependência da disponibilidade de evidências de segurança e eficácia, os medicamentos são classificados em quatro distintos grupos: 

    Classificação LUTS-FORTA 20145

    Mais recentemente, Oelke e colaboradores desenvolveram uma revisão sistemática dos medicamentos utilizados para tratar sintomas do trato urinário inferior (LUTS) em indivíduos idosos para classificá-los de acordo com seu perfil de eficácia, segurança e tolerabilidade de acordo com a classificação “Fit fOR The Aged” (FORTA).5

    Estudos clínicos avaliando eficácia e segurança em indivíduos com idade ≥ 65 anos foram incluídos. Um painel interdisciplinar internacional avaliou os medicamentos com processo de consenso Delphi. Para os 16 medicamentos incluídos, um total de 896 citações foram identificadas. Destas, apenas 25 relataram explicitamente dados referentes à população idosa.5

  • Os autores concluíram que os medicamentos frequentemente utilizados para tratar LUTS em idosos diferem amplamente quanto ao seu perfil de segurança. A partir desta análise, que se baseou em um limitado número de estudos descrevendo o perfil de risco/benefícios de distintos medicamentos para LUTS em pessoas com idade ≥65 anos, os inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida e dutasterida) e a fesoterodina (antimuscarínico não disponível no Brasil) foram os únicos listados como FORTA B.5

    Dentre os alfabloqueadores, a silodosina (não disponível no Brasil) e a tansulosina foram classificadas como FORTA C e os demais agentes (alfuzosina, doxazosina e terazosina) foram classificados como FORTA D, em função da possibilidade de eventos hipotensivos e risco de quedas em pacientes idosos.5

    Em relação ao perfil de segurança dos antimuscarínicos, que são uma classe medicamentosa frequentemente utilizada para tratamento de sintomas de bexiga hiperativa em idosos, chama a atenção que a oxibutinina de liberação imediata foi classificada como FORTA D.5 A possibilidade de eventos adversos do sistema nervoso central representa um aspecto clinicamente relevante em indivíduos idosos que recebem tratamento com antimuscarínicos.12

  • 1. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira. n. 36. Rio de Janeiro: IBGE, 2016. 146 p. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98965.pdf>. Acesso em: 22 maio 2018.

    2. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Projeção da população do Brasil e das unidades da federação: população Brasil. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/>. Acesso em: 22 maio 2018.

    3. SOLER, R. et al. The prevalence of lower urinary tract symptoms (LUTS) in Brazil: Results from the epidemiology of LUTS (Brazil LUTS) study. Neurourol Urodyn, 2017. Epub.

    4. WICKOP B, et al. Potentially Inappropriate Medication Use in Multimorbid Elderly Inpatients: Differences Between the FORTA, PRISCUS and STOPP Ratings. Drugs Real World Outcomes. 3(3): 317-25, 2016.

    5. OELKE M, et al. Appropriateness of oral drugs for long-term treatment of lower urinary tract symptoms in older persons: results of a systematic literature review and international consensus validation process (LUTS-FORTA 2014). Age Ageing. 44(5): 745-55, 2014.

    6. TINETTI, ME. Clinical practice. Preventing falls in elderly persons. N Engl J Med, 348(1): 42-9, 2003.

    7. BLANCO-REINA, E. et al. 2012 American Geriatrics Society Beers criteria: enhanced applicability for detecting potentially inappropriate medications in European older adults? A comparison with the Screening tool of older person’s potentially inappropriate prescriptions. J Am Geriatr Soc, 62(7): 1217-23, 2014.

    8. WEHLING, M. et al. Multimorbidity and polypharmacy: how to reduce the harmful drug load and yet add needed drugs in the elderly? Proposal of a new drug classification: fit for the aged. J Am Geriatr Soc, 57(3): 560-1, 2009.

    9. HOLT, S. et al. Potentially inappropriate medications in the elderly: the PRISCUS list. Dtsch Arztebl Int, 107(31-32): 543-51, 2010.

    10. GALLAGHER, P. et al. STOPP (Screening Tool of Older Person’s Prescriptions) and START (Screening Tool to Alert doctors to Right Treatment). Consensus validation. Int J Clin Pharmacol Ther, 46(2): 72-83, 2008.

    11. KUHN-THIEL AM, et al. Consensus validation of the FORTA (Fit fOR The Aged) List: a clinical tool for increasing the appropriateness of pharmacotherapy in the elderly. Drugs Aging. 31(2): 131-40, 2014.

    12. AVERBECK MA, et al. Management of LUTS in patients with dementia and associated disorders. Neurourol Urodyn. 36(2): 245-52, 2017.

    13. COMBODART (dutasterida + cloridrato de tansulosina). Bula do produto.

  • Dr. Márcio Augusto Averbeck - CRM-RS 28.361

    GSK Internal Expert.

     

    Dr. Paulo Afonso Santos - CRM-RJ 72372-0

    Médico Urologista. Head of Medical Affairs. MSL Group Manager