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Highlights EAU 2017

Na última semana de março, entre os dias 24 e 28, aconteceu o 32º Congresso anual da EAU, em Londres. O maior evento europeu contou com a participação de mais de 12 mil profissionais e palestrantes de diversas nacionalidades.

Todos os anos, o congresso anual da EAU provém um fórum de discussão para o compartilhamento de ideias e a apresentação de dados originais e conhecimentos de relevância clínica baseados em evidências. Neste ano a EAU17 incluiu diversas sessões sobre Sintomas do Trato Urinário Inferior (LUTS) relacionados à Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), variando entre plenárias dedicadas inteiramente a avaliação, manejo e últimos desenvolvimentos na área até sessões com apresentações de pôsteres, simpósios satélites de indústrias farmacêuticas e últimas novidades de estudos ainda não publicados.

Neste material faremos Highlights das informações voltadas para HPB/LUTS.
Na sessão ‘Novidades na Farmacoterapia de LUTS’, podemos destacar o trabalho de Yamanishi e colaboradores que queriam avaliar a eficácia do tratamento triplo entre tansulosina, dutasterida e imidafenacina em homens com Hiperplasia prostática benigna (HPB) / Sintomas do trato urinário inferior (LUTS) e sintomas de bexiga hiperativa. Como resultado os pesquisadores viram que a adição do antimuscarínico à terapia combinada pode auxiliar no alívio dos sintomas causados pela bexiga hiperativa.1

Nesta mesma sessão, o pôster 531, intitulado ‘Impacto dos inibidores de 5-ARI para o tratamento da HPB na disfunção erétil, depressão, ginecomastia e câncer de mama: um estudo observacional de vida real de 20 anos’, de Hagberg e colaboradores, mostrou que o risco de disfunção erétil não foi aumentado em usuários de 5-ARI, assim como o risco de depressão e câncer de mama. No entanto, o risco de ginecomastia foi maior nos usuários de 5-ARI. A conclusão do estudo foi que o uso de 5-ARIs pode estar associado com aumento de risco de ginecomastia, mas não há um risco maior de desenvolvimento de câncer de mama em comparação com indivíduos que receberam monoterapia com alfa-bloqueadores.2

Outra importante contribuição para a área da urologia, mais precisamente, sobre o papel dos alfa-bloqueadores na HPB e uropatia obstrutiva, foi apresentada pelo Prof. Vincenzo Mirone durante um simpósio, no dia 25. O professor discutiu diversos pontos, tais como: a variação da espessura da parede vesical estar relacionada com a gravidade da obstrução infravesical,3 a deposição de colágeno e a hipertrofia muscular sendo alguns dos responsáveis pela diminuição do fluxo sanguíneo para o músculo detrusor,4,5 a formação de pseudodivertículos,6 as consequências do processo isquêmico crônicos,5,7 entre outros. Segundo Mirone, o mecanismo proposto para explicar a fase de descompensação e o processo de falência da contração detrusora está relacionado à fibrose e à isquemia da parede vesical.

Durante o congresso a GSK realizou um simpósio com a temática: “Superando obstáculos no tratamento medicamentoso de pacientes com HPB/LUTS”, neste evento o Dr. Márcio Averbeck (Porto Alegre, Brasil), também Internal Expert da GSK; o Prof. Claus Roehrborn (Dallas, EUA) e o Dr. Manish Patel (Sydney, Austrália), apresentaram os dados do estudo Probe II (Understanding patient and physician perceptions of benign prostatic hyperplasia in Asia Pacific, Latin America and the Commonwealth of Independent States: the Prostate Research on Behaviour and Education (PROBE) II survey), onde foi avaliado as atitudes dos pacientes e médicos frente à HPB, além de suas percepções sobre a doença e as opções de tratamento.8

Dentre os participantes selecionados, 1094 pacientes e 202 médicos responderam os questionários de avaliação. Sessenta e um porcento dos pacientes disseram sentir-se muito bem informados sobre HPB/LUTS, porém apenas 39% dos médicos disseram acreditar que seus pacientes estão informados sobre a doença. Os pacientes tinham entre 45 e 80 anos, com diagnóstico clínico de HPB, pelo menos uma consulta médica no último ano e recebendo tratamento para LUTS. Já os médicos, eram todos urologistas ou clínicos gerais, na Austrália, que atenderam pelo menos 5 pacientes com HPB por mês no último ano.8

Figura 1. Resultado dos questionários

O estudo Probe II também mostrou que mais de dois terços dos pacientes (69%) se declararam satisfeitos com a tratamento utilizado, principalmente, quando o mesmo compreendia de 5-ARI e Alfa-bloqueadores, tanto em terapia combinada quanto em monoterapia. Com relação às respostas dos prescritores, a pesquisa mostrou que para os médicos muitos dos seus pacientes estariam muito preocupados com a progressão da HPB, 92% sobre a necessidade de cirurgia e 72% sobre o desenvolvimento de retenção urinária aguda. No entanto, 1/3 dos pacientes informaram que discutiram com seus médicos sobre estas possíveis complicações da doença.8

Por fim, após apresentação dos resultados e conclusão do estudo pelos palestrantes, evidenciou-se que é de extrema importância a discussão entre médicos e pacientes a respeito de suas expectativas em relação ao tratamento medicamentoso para assim aumentar a adesão à terapia aplicada e, consequentemente, diminuir as complicações da doença.8

 


Referências bibliográficas:

1. YAMANISHI, T et al. Impact of 5-alpha reductase inhibitors for treatment of benign prostatic hyperplasia on erectile dysfunction, treated depression, gynecomastia, and breast cancer: A real world 20 year observational study. Eur Urol Suppl, 16(3): e924-e925, 2017.

2. HAGBERG, KW. et al. A 52-week randomized comparative study of a triple therapy (tamsulosin, dutasteride, and imidafenacin) versus a dual therapy (tamsulosin and dutasteride) in benign prostatic hyperplasia patients with overactive bladder (DIrecT Study). Eur Urol Suppl, 16(3): e919, 2017.

3. TUBARO, A. et al. The Effect of Bladder Outlet Obstruction Treatment on Ultrasound-Determined Bladder Wall Thickness. Rev Urol, 7(Suppl 6): S35-42, 2005.

4. KOMNINOS, C. et al. Obstruction-induced alterations within the urinary bladder and their role in the pathophysiology of lower urinary tract symptomatology. Can Urol Assoc J, 8(7-8): E524-30, 2014.

5. METCALFE, PD. et al. Bladder outlet obstruction: progression from inflammation to fibrosis. BJU Int, 106(11): 1686-94, 2010.

6. TANAGHO, EA. Urinary Obstruction & Stasis. In:__. Smith´s General Urology.17. Estados Unidos: McMgraw Hill; 2008. p168-69.

7. LEVIN, RM. et al. Partial outlet obstruction in rabbits: Duration versus severity. Int J Urol, 20(1): 107-14, 2013.

8. ERTEL, P. et al. Understanding patient and physician perceptions of benign prostatic hyperplasia in Asia Pacific, Latin America and the Commonwealth of Independent States: the Prostate Research on Behaviour and Education (PROBE) II survey. Int J Clin Pract, 70(10): 870-880, 2016.